Silvestre.

 Pétalas de mel que caem ao longo do tempo,

Vozes que enchem o espaço vazio,

Pirilampos que iluminam o nosso caminho,

Sorrisos que preenchem as nossas vidas,

Carinhos que queremos dar e receber,

Vontade de abraçar e seguir por este silvestre trilho,

E num piscar de olhos o Amor fica e nasce,

Como uma rosa que brilha para o Sol,

Porque é o calor de estar juntos que nos faz acordar.

M.

 

fortificar.

 Quero fazer novas memórias neste livro,

Numa escrita que seja feita de luz,

Num desejo que é ardente num sonho efémero,

Assim é um destino que nos seduz,

Em episódios que findam onde o infinito se encontra,

À procura daquele que é o seu mantra,

Numa luta que só o Amor pode ficar,

E num aconchego que a Alma nos quer fortificar.

M.

 

Emergir.

 Corre-me nas veias o sangue de outros pensamentos,

Vou por entre mares e oceanos à tua procura,

Visto-me de gala para te receber ao luar,

Cintilantes estrelas que aparecem no horizonte em fragmentos,

De luzes que atravessam o meu corpo como uma cura,

Num alento de paz e sossego que me faz continuar,

Sem saber se a escolha é um momento de ir,

Mas que sei em ti eu quero emergir.

M.

 

Invisivel.

 Vivo um dia de cada vez à espera,

Quero voltar a acreditar que é possível,

Saber que a melodia do céu é verdadeira,

Olhar nos teus olhos e ver o nosso invisível,

Pensar que juntos iremos por entre esta cordilheira,

Para adormeceremos nos nossos sonhos.

M.

vestido de luz.

 Vestido de luz que ilumina a negra floresta,

Vontade de querer ir sentir ao longe este horizonte,

Num tapete que se estende ao longo desta festa,

Por entre penhascos atravessamos esta ponte,

Vamos sem saber se juntos podem chegar ao fim,

Mas queremos que nas diferenças germine o nosso jardim,

E nos beijos de ardor eterno façamos amor.

M.

Força do Sol

 Nasce um dia cheio de força do sol Rei,

Dorme em sossego a dama da lua Rainha,

Sobem as cortinas de mais um espetáculo da vida,

Corremos por entre as flores que sorriem ao vento,

Saltamos por entre as leiras e os riachos de água,

Sentimos o perfume que emana ao passar pelo olfato,

Esta é uma vida que não queremos esquecida,

E assim adormecemos nos lençóis que nos confortam o cansaço,

Num beijo que se repete até ao fim de tudo o que darei.

M.

 

 

 

travessia eterna.

 Acordo entre os lençóis de uma noite suada,

Sinto o teu calor a crescer por entre o meu peito,

Não sei onde este caminho nos levará,

Quero ser eternamente inocente e levar-te comigo,

Sentir que o meu ser foi feito para dar e alegrar,

O teu coração frágil e verdadeiro,

Num sonho que nunca tivemos e se tornou realidade,

Sei saber se as tormentas são fortes demais,

Mas acreditando que podemos fortalecer o nosso amor,

E que com ele iremos atravessar qualquer desfiladeiro,

Seja ele feito de fantasmas imaginários,

Seja ele feito de rosas perfumadas pela manhã cristalina,

Vamos,

Deixa-me levar-te,

E leva-me contigo no teu coração de mel,

Na tua força invisível,

No teu livro que escreves todos os dias,

E que eu seja a personagem que te faltava,

Por entre rios e mares,

Navegaremos juntos até ao fim de uma travessia eterna.

M.

 

Azul

 Sinto em mim um mar de desejos inacabados,

Quero levar comigo sonhos vividos,

Na minha mão as rugas de quem alcançou,

No teu coração as sementes de quem ficou,

No meu olhar a calma de um vento do Sul,

No teu interior a beleza de um céu azul.

M.

Levantar.

 Levanta-te meu desejo ardente,

Vêm saborear o que a vida nos dá,

Agarra a minha força e corre até ao horizonte,

Lá estarei à tua espera como um ouvinte,

Que escuta o som da Alma que se perde no nosso Amor.

M.

torrente.

 Floresta de pirilampos que iluminam o nosso caminho,

Fugimos entre as flores silvestres com perfume de azevinho,

Na orla da lagoa azul banhamos os nossos corpos despidos,

Saltamos em frente à procura de ficarmos sempre unidos,

Queremos que assim o nosso amor se oriente,

Semeando prazer e momentos numa infinita torrente.

M.

Acordar.

 Nasce este dia de sol entre nuvens que pintam o céu,

Pela minha voz uma melodia que só tu podes ouvir,

Na minha mão um rio de desejos feitos para seduzir,

Danço sem jeito e ritmo, mas sempre com o meu chapéu,

Lanço-me ao ar na esperança de nos teus braços acordar.

M.

Respirar.

 Respiro ar que vem ao amanhecer deste dia,

Abro o meu coração para que te possa receber,

Largo para o ontem as coisas sem anatomia,

Nos meus braços te quero envolver,

Na dicotomia das diferenças encontrar a razão,

Que entre o frio e calor tens a minha paixão.

 M.

Sombras.

 Sombras que me afetam o sentido de viver,

Ondas que crispam no meu olhar ao fundo,

Dúvidas que me assaltam o espírito de sentir,

Pensamentos que me deturpam o meu caminhar,

Vontade de fugir para parte alguma,

Curiosidade de saber como devo receber esta chuva,

Frio que quero tirar de mim para me aconchegar,

No calor de quem me encontrou num lugar perdido,

Um medo de saber se serei capaz de corresponder,

Porque afinal apenas sou eu,

Um ser que tenta fintar as curvas da vida,

Num mundo sem sentido e sem cor,

Que faz sentido ao teu lado.

 

Amada.

 Ali vem o sol que alegra as nossas almas,

Querida anda comigo ao vale dos sonhos,

Solta um sorriso e deixa-me guiar-te,

Para lá das folhas que cobrem de ouro o chão,

Levo-te até à fonte dos desejos escondidos,

E pergunto-te,

Queres ser a minha amada?

M.

 

Ascensão.

 Não tenho jeito de fazer as coisas,

Sou um entre os vários que se atravessam,

Acredito que posso ser diferente contigo,

Não sou o estereótipo de homem bonito,

Sou apenas um movimento entre as cordas de um violino,

Transformo e quero transformar as nossas diferenças,

Acordar em ti e saber que estás lá,

E saber que te fiz feliz até ao dia da nossa ascensão.

cálice.

 Líricas construídas em cima de uma pedra nua,

Desconcerto de quem não sabe onde é o Norte,

Correntes de sangue derramado na rua,

Marasmo de não encontrar um sentido forte,

Do perfume que a vida nos traz e mostra,

Na sua efemeridade e lágrimas choradas,

E nas flores que iremos foram alcançadas,

Para depositar no cálice da nossa vida.

M.

 

 

 

 

 

pincelada.

 Numa pincelada de luz tinjo o céu de azul,

Lanço com a minha mão no ar pequenas sementes cintilantes,

Inspiro e sopro com toda a força que move este universo,

Derramo lágrimas de felicidade que cobrem esta terra,

Atiço um fogo sagrado que ilumina o caminho sombrio,

Deito-me na encosta desta montanha e vislumbro a sua beleza.

M.

 

 

 

 

primavera.

 Raios de magia que invadem o corpo despido,

Segredos que se sussurram ao teu ouvido,

Paixões que nos assaltam o medo profundo,

De saber que em cada queda uma esperança de voltar,

Num acreditar que as asas de prata são nossas,

E que o vazio se enche de canções de embalar,

Um coração que procura uma resposta para o seu caminho,

Da voz que nos ouve nas noites de amor,

E nos dias de sol que beijam os teus pés na primavera.

M.

perguntem.

 Perguntem à montanha onde está a sua força,

Percorram este riacho de água translúcida,

Olhem para o céu e perguntem às estrelas,

Que luz é essa que atravessa as névoas do tempo,

Selvagens e destímidas florestas que nos abraçam,

Na primavera perguntem de onde vem o seu perfume,

Sentimos a brisa fresca do oceano salgado,

Que nos beija os lábios num dia de inverno,

Perguntamos de onde vem a tua calma que nos assalta,

Um espírito rebelde e sem saber o sentido deste caminho,

Uma amostra de luz que pede um reflexo de tempo,

Para em si descobrir uma memória da infinidade esquecida.

M.

 

 

 

espada

 Abro os meus olhos e seguro a minha espada,

Furiosa é a vontade da luta dos heróis de vida,

Sem luz ou sombra que assaltem o feliz pobre,

Um carrasco que se perfilha para encenar o seu teatro,

Uma melodia que se ouve no fim de uma floresta encantada,

Um combate que se faz no alvorecer de uma manhã de inverno,

Cavalgo sem parar em busca da esperança perdida,

Levo comigo a força de mil de vontades,

A coragem de quem não teme o fogo desta montanha,

Para da torre libertar quem ali aprisionou a sua Alma,

E pelo aço da sua espada trespassar a escuridão do dia.

M.

 

 

 

firmeza

 Um mar de manhãs esquecidas,

Um tormento de pensar que o destino é fiel,

Uma magia que trazes contigo no teu mel,

Um acorde de violino que estreme o meu corpo,

A firmeza de saber para onde quero ir,

A certeza daquilo que não quero ter,

A ti te dou,

A mim me desafiou,

Mas temos pedras para desviar,

Que juntos acredito que iremos tirar.

M.

iremos.

 Fios de gelo que nascem ao longo das pétalas caídas,

Ramos que se desprendem do tronco vazio,

Nuvens que se dissipam no vento soprado pelo desvio,

Pernas que se cruzam no caminho sem maneiras,

Olhares de quem vê o que está ao longe,

Mensagens que se escrevem no livro do monge,

Pensamentos que atrofiam os sentimentos de quem sente,

Promessas que se fazem no alto de um monte,

Ouvidos que ouvem, mas não escutam,

Loucuras que se fazem para saber se estamos a viver,

Faces de uma moeda que nunca se conhecem,

Momentos que queremos conservar na parede do quarto,

Beijos que queremos dar na enseada de uma miragem,

Sem saber se iremos um dia ser felizes.

 M.

peregrino.

 Duas metades que tentam agora se encaixar no seu desatino,

Duas verdades que se encontram à procura do seu destino,

Duas Almas que navegam pelo azul na manta do divino,

Duas mãos que se estendem à procura do cristalino,

Duas visões que ajustam o seu pensar enquanto imagino,

Duas vontades que caminham pelo trilho do peregrino.

M.

liberdade

 Levanta-te e sorri para o dia que nasce no horizonte,

Vamos construir sonhos de algodão nas encostas deste monte,

Longe deste frenesim sem sentido que nos ofusca,

Um sentimento que escondemos dos parasitas em busca,

De nos tentarem roubar a vontade de estar em vida,

Mas a nossa força é feita nas asas da liberdade que é vivida.

 M.

viver.

 Um dia que começa sem vontade de saber,

Uma nuvem que se dissipa no horizonte de azul,

Um momento que avança pelas cordas do tempo,

Um som que surge do silêncio de quem ouve,

Um abraço que se dá sem saber se é sentido,

Um rio que atravessa montes e vales rumo à liberdade,

Um beijo que se dá para sentir o que é viver.

M.

 

 

 

 

para além.

 Nada nos pertence para além das memórias que criamos,

Tudo na vida são criações do tempo que nos absorvem,

A beleza de respirar um dia de maresia contigo é efémera,

Queremos viver para sempre no casulo que nos protege,

Voltamos ao passeio onde todos passam sem se conhecer,

Na tentativa de sermos uma mensagem escrita na pedra,

Que o sentido de tudo isto é um caminho que abraçamos,

Descobrir e voltar a perder-se em momentos de prazer,

Beijar e sentir-se tolo e sem sentido de explicar,

Porque o básico é suficiente para nos sentirmos felizes,

E no nosso sangue ficará gravado o valor da lembrança,

Que um dia foi vivida contigo.

M.

 

 

 

intensidade.

 Todo o fruto deste corpo está em ebulição,

Quero atravessar o tempo sem noção,

Que a vida é um estado de alma que se derrete,

À procura das rosas vermelhas de perfume celeste,

Dar-te a mão e correr por entre as ruas desta cidade,

Espalhar pelas esquinas e vielas a loucura da intensidade,

E inflama quando nos deitamos a fazer amor.

M. 

singrar.

 Nas lendas que outrora foram uma vida,

Nas sendas que alguém um dia desafiou,

Nas escadas que subiram até ao cimo da investida,

Nas lutas que por ti eu irei sangrar,

Sem medo ou receio que sem roupa fique,

Porque o amor assim o merece singrar.

M.

 

 

Moedas.

 Adrenalina que me sobe pela espinha acima,

Vontade de querer escalar o Evereste,

Sem espaço para a malicia ou ódio,

Quero viver sem saber que estou amarrado,

Posso perder tudo o que não cabe na minha Alma,

Mas a riqueza que levo comigo não se conta por moedas,

Esta é a verdade que custa muito entender,

Que só refletindo é que lá chegamos,

Mesmo que seja no leito da nossa morte.

M.

 

 

acolher.

Raios de sol que atravessam o espírito da vida,

Quero levar tudo à frente desta sequela,

Um papel que foi feito para estar nesta novela,

A estrada de quem luta por caminhar de forma ávida,

Por saber que ao fundo está a minha esperança,

E descansar nos dias de tempestade em segurança,

Porque os teus braços assim me acolheram.

M.

 

que loucura.

 Que lástima sou eu que nem capaz de escrever sou,

Que tristeza de vazio é o meu que nem voar consigo,

Que loucura é a minha que apenas desespero,

Que estupidez é a minha que apenas digo palavras sem nexo,

Que enfadonho sou eu que não consigo manter ninguém,

Que infeliz sou eu por não saber o caminho que devo trilhar,

Que destino é o meu se não for capaz de segurar,

Que sorte será a minha se não for capaz de distrair,

Que conforto será o meu se não for capaz de providenciar,

Que coisa sou eu?

M.

 

 

sem jeito.

 Agora é tempo de dar a volta à esquina deste quarteirão,

Tudo pode ter sido quebrado sem gratidão,

Não sei o que cada um de nós procura nesta imensidão,

Somos tão iguais e tão diferentes nesta multidão,

O caminho tem que ser seguido até à exaustão,

Esta chama que foi oferecida não é para ser ilusão,

Quero dar tudo novamente mesmo na minha brutidão,

Eu sei que sou capaz de melhorar mesmo que seja uma confusão,

Este sou eu, frio, caloroso, alegre, melancólico, bruto, um ser sem jeito.

M.

 

 

maldade.

 Maldade é um meio para me atingir,

Superação é a minha força de fugir,

Não serei refém das coisas sem valor,

Encontrei um furacão com o qual serei rebelde,

Não serei irresponsável e darei o calor,

Que o meu coração sente enquanto arde,

Na vontade de superar as ondas crispadas,

Que se dissipam quando cavalgadas.

M.

sem parar.

 Deixa-me sair deste enredo sem fim,

O tempo acabou para aquilo que foi,

Não me atinges dessa forma vil,

A minha força é maior do que pensas,

Sei ser uma pedra que atravessa o tempo,

Sem que as tempestades e inundações me façam mal,

Porque é assim a minha natureza,

Rude e bruta como uma rocha,

Mas que quando se dá é para sempre,

E quero que quem se amarrou a mim não se solte,

Deposito nesta embarcação uma nova vida,

Um momento que quero viver sem parar.

M.

tulipas.

 Olá, linda Princesa, que estás à janela,

Esvoaçam ao vento os teus cabelos que perfumam a esperança,

Aqui em baixo estou eu a olhar como lá chegar,

Pelo caminho tormentas e guerras que tenho que ganhar,

A lutar quero estar por saber que contigo irei estar,

Deitar-me ao teu lado e dizer-te as palavras do meu coração,

Acreditar que no leito da nossa cama o Amor irá acontecer,

E abraçados iremos encontrar as tulipas no nosso jardim.

M.

 

 

emergir.

 Mar que vai e vem ao nosso encontro,

Com o teu vestido azul iluminas o viajante,

Na força das tuas ondas a rocha que me prende,

O som de quem assobia a vontade de voar,

Abraças o dia e a noite na tua vontade de amar,

Na tua profundidade descobres um tesouro afundado,

Tocas ao de leve para que não desapareça no fado,

Levas-me contigo sem saber para onde ir,

E comigo eu vou para contigo de novo emergir.

M.

 

 

árvore.

Ó árvore que tudo vês e tens a força de mil anos,

Ó árvore que te renovas todos os anos para alegrar,

Ó árvore que te vestes de verde e branco todas as primaveras,

Ó árvore que amadureces os teus frutos como se fossem os primeiros,

Ó árvore que estendes os teus braços para me abraçar,

Ó árvore que me proteges nos dias de chuva,

Ó árvore que me encantas com o teu perfume de outono,

Ó árvore que me aqueces nas noites de inverno,

Ó árvore deixa-me ser como tu.

M.

 

apenas.

 Apenas tempo que passa sem vontade de ir,

Apenas vento que passa sem se sentir,

Apenas sentimento que passa sem atingir,

Apenas felicidade que passa sem emergir,

Apenas ferimento que passa sem ferir,

Apenas ilusão que passa sem desiludir,

Apenas coração que não quer desistir.

M.

 

rouxinol.

 Tu ó Alma que um dia saíste à rua,

Tu ó Alma que vais assim por aí nua,

De ti vejo o que é mais puro nesta passagem,

De ti procuro ser mais alguém sem bagagem,

Andas descalça sem saber que o chão traz dor,

Andas sem medo e vestida com o teu esplendor,

Não te quero magoar nas sombras do meu ser,

Não fujas de volta para o lugar onde foste amanhecer,

Sei que em ti tudo é vontade de tocar o sol,

E eu só quero estar contigo a cantar como um rouxinol.

M.

 

               

 

liberta

 Tormento de águas turvas e opacas,

Remoinhos que mexem e remexem por entre o vento,

Assaltos de quem nunca tem a porta aberta,

Perdição em poemas sem assento,

Inflexões em terrenos sem vinhaças,

Juventude que vai à descoberta,

Alma que fica liberta.

M.

silêncio.

 Este silêncio que me asfixia os sentimentos,

Uma paixão que quero que floresça por entre ervas daninhas,

Pêndulo que vai de um lado ao outro,

Sem saber de que lado está o abrigo,

Solidão que navega comigo por entre as ondas do atlântico,

Uma emoção que se estende e encolhe como um elástico,

Uma imensidão de nada querer fazer ou ter,

Um jorro de luz que atravessa o meu ser,

Sem saber onde deverei merecer,

As palavras que me adormecem.

M.

 

 

cansado.

 Estou cansado de nada saber ou ver,

Uma moleza que desce por este corpo vagabundo,

Sozinho eu vou para lá das montanhas de gelo,

Olho pela ravina as pessoas lá em baixo,

Caminho para cima em busca da esperança perdida,

O vento frio atravessa a minha Alma despida,

Que ser sou eu que apenas persegue uma diáspora,

Raiva de cair nesta melancolia sem motivo,

Vontade de me erguer rumo ao meu compromisso,

Que ser feliz contigo e com a vida é um lugar,

Feito de momentos e alegrias que enchem o meu coração.

M.

 

lar.

 Quero mudar este chip sem corrente,

Não consigo ouvir o que me vai na Alma,

As minhas mãos transpiram sem saber,

Aquilo que não consigo explicar de mim,

Escrevo sem saber se sei ler aquilo que digo,

Sinto um vazio sem entender o que me lava,

Quero descobrir um caminho que me leve,

Para lá dos sonhos que me assaltam o espírito,

É tempo de ir embora,

Dor é um movimento das estrelas que dançam,

Abro os meus olhos sem saber se vejo,

Deixa-me ser estúpido,

O palhaço que deixa as crianças felizes,

Ou o amigo que dá um abraço sentido,

O amante que faz amor contigo,

A loucura que se perde nos teus olhos,

O viajante que encontra o seu lar.

M.

 

 

 

loucura.

 Dias cinzentos e sem cor de vida,

Pensamentos sem fado,

Lugares que se escondem ao longe,

Sentimentos que se atropelam na estrada,

Páginas que não se escrevem ao luar,

Estarei eu a ficar louco de viver,

O fundo deste poço abafa o meu entender,

Estarei eu louco?

M.

nada vejo.

 Olho para mim e nada vejo,

Perscruto o tempo de ouvir a Alma,

E nada oiço,

Um peso que se abate nas encostas do meu desassossego,

Sentidos opostos que navegam ao vento,

Fulgor que se aprisiona dentro de mim,

Pesados os meus olhos,

Dorido o meu corpo,

Sentida a minha Alma,

Respiro com força para éter limpar o meu ser,

Azul refrescante e cintilante,

Assim serei mais puro para a vida.

M.

 

 

Dormir

 Esqueci de te dizer que estou aqui,

Ligo para a telefonista que me atende,

Alô,

Quero falar com a minha alma,

Não consigo,

Aquela hora é de reunião,

Escrevo para o livro,

Sinto,

Algo que não consigo,

Traduzir em palavras que se entendam,

Bebo mais uma vez,

Sinto o sono ao virar da esquina,

Sei que não sou normal,

Quero acreditar que posso sonhar,

Vou agora dormir.

M. 

 Luz que foge entre as estrelas,

Sombra que me invade o vazio,

Sentimento que não consigo explicar,

Tristeza que me assalta o espírito,

Melancolia que não me deixa,

Baralho que não tem cartas, 

Terra que não dá comida, 

Leva-me para lá, 

Onde o verão é bom, 

E o beijo faz sentido, 

Abraça a vida comigo, 

Tira de mim o tempo, 

Agora que somos turistas, 

Nesta viagem que não sabemos o destino, 

E longe iremos sem tristeza, 

Assim é viver. 

M. 


devora-me.

 Devora-me a Alma deste desconcerto,

Loucura que não consigo explicar,

Caminho que atravessa rios e mar,

Fuga de sorrisos que se desprendem ao vento,

Dedos que passam por entre os fios do teu cabelo,

Sentimentos que produzem adrenalina,

Amor que queremos dar e receber,

Que desatino é o meu que não entendo,

Descobrir sentido de viver e querer,

Deixa-me ser e ter contigo um momento,

Atravessar o desfiladeiro do terror,

E banhar-me nas margens da alegria contigo.

M.

voltar.

 Sentimento que nos faz entorpecer,

Vontade de fugir sem rumo ou sentido,

Não quero ter mais dor no meu coração,

Voltar a sorrir entre as nuvens que pintam a vida,

Eu sei que um dia serei algo que possa ser,

Não consigo explicar a minha escrita de fel,

Luto por ser racional e normal sem pudor,

Esses dragões que me lavam a alma,

De espada em punho desbravo esse caminho,

Sem sentido ou rumo vou sem medo,

Mas dor é dor e só contigo irei longe,

Deixa-me ser contigo um momento,

Sangrar por entre as lutas de viver,

Mas acordar ao teu lado e saber que sou feliz.

M.

deixem.

Só precisamos de luz que nos ilumine o caminho,

Vagueamos por entre as sombras das árvores,

Deixem que as crianças voltem a ser felizes,

As framboesas que deliciam o paladar de quem sabe,

Que voltar a ser feliz é uma conquista sem dor,

Deixem que as almas voltem a ser amadas,

Os campos de narcisos que despontam em flor,

As mágoas que desaparecem no rio que passa,

São momentos eternos que queremos agarrar,

Deixem que o nosso amor seja um farol.

M.

tormenta.

 Uma fuga de luz sagrada que foge pela nebulosa,

Nuvens chorosas que deitam o sangue deste suor,

Um rugido que atravessa o som deste trovão,

Uma alma triste que vagueia entre as marés,

Despido num campo de lírios ao sol,

À procura de vida que preenche o coração,

Aponta-me o caminho do lugar onde os sonhos são realidade,

Sorri para mim com as tuas faces rosadas,

E invade o meu ser para longe desta tormenta.

M.

 

mudo.

 Por entre rios e vales voa uma borboleta sem destino,

De uma semente que brota do chão até ao cimo do monte,

Ali pousa a observar a natureza como se fosse clandestino,

Busca por entre as folhas e os ramos envelhecidos o seu horizonte,

Nas suas asas a suavidade de quem estranha o seu veludo,

Afinal apenas quer voltar para o seu casulo mudo.

M.

miséria.

 Afasta-me desta miséria que é apenas sentida,

Quero insistir em fazer o impossível desta demanda,

Não tenho o sangue azul de quem comanda,

Apenas dedico a minha vontade e querer à vida,

No inferno de dante que persegue a alma desprovida,

Vamos navegar por entre os sonhos de água dissolvida,

Num pranto de lágrimas vertidas no cálice da verdade.

M.

sempre.

A vida são pequenos momentos que colecionamos ao longo da vida,

A esperança de saber viver sem mágoa ou medo é uma dádiva,

Escolher e saber encontrá-los é algo que nem sempre está ao nosso alcance,

Tu tens sabido encontrar essas vivências que te preenchem o livro,

Não deves chorar o que não podes controlar ou evitar,

Lembra-te que és forte e contigo estão aqueles que querem a tua felicidade,

Abraça-me nos momentos que precisares para sentires o sentimento eterno,

Beija-me sem folego até que em ti preenchas a tua energia de alma,

Sabes que és tu que diriges o teu caminho e eu serei teu companheiro,

Sempre a dar o que conseguir para manter-te lá em cima.

M.

 

 

 

 

devora.

 Que veloz é o tempo que nos devora,

Uma corrida que segue sem meta ou destino,

Esta é a nossa dança de valsa ao alvorecer,

Um imaginário de sonhos em jardins de verão,

Quero adornar o meu rosto no teu entardecer,

Fazer poesias feitas de pérolas e coração,

Pintar as paredes de uma casa sem tela,

E correr para fora da minha cela,

E encontrar o teu desejo.

M.

               

 

 

 

nem sempre.

 Nem sempre sei expressar o que sinto,

Nem sempre sou aquele que gostaria,

Nem sempre faço aquilo que deveria,

Nem sempre permaneço quieto,

Nem sempre vou para onde devo,

Nem sempre darei aquilo que posso,

Nem sempre serei o ombro amigo,

Nem sempre gostarei de estar no fosso,

Nem sempre irei aonde não ligo,

Mas sempre serei eu.

M.

ervas daninhas.

 Não são as ervas daninhas que me impedem,

Não são os espinhos que me arranham a pele,

Não são os traumas de um passado esquecido,

Não são as fantasias de mundo de cor-de-rosa,

Não são as manias de querer ser perfeito,

Não são os medos de cair o mundo em cima de mim,

Não são os defeitos de que eu sou feito,

Não são as pressões que me fazem cair,

Apenas a tua viagem comigo,

A vontade de ter-te até ao fim,

Sem medo e sem drama de falhar,

Porque só juntos podemos ser,

Aquilo porque sonhamos e queremos ter.

M.

 

alucinador.

 A força está dentro de ti,

O medo é um espinho sem cor,

A leveza do ser é algo em que já existi,

A sombra é uma cortina que se veste,

E na minha memória não quero rancor,

Porque isto não é um filme do faroeste,

Sem cavalos ou cowboys,

Apenas sou um ator neste teatro sem encenador,

Que representa um papel alucinador.

M.

afinidade.

 Ninguém é de ninguém dizia assim o verso,

Mas todos somos de todos,

Tudo é feito de centelhas de universo,

Rasgos de luz foram a nós concedidos,

Na escuridão vivem os medos de não saber,

Que apenas estamos aqui para amadurecer,

As sementes que nos deram para a liberdade,

E no caminho que fazemos encontrar a nossa afinidade.

M.

 

talvez.

 Chove copiosamente ao largo da margem norte,

Rasgo o véu que invade a minha sala,

Sento-me no sofá a contemplar a minha sorte,

Olho em redor à procura da minha mala,

Quero sair e fugir para longe onde o sol brilha,

Mas está a chover e pego na minha cigarrilha,

Vou fumando por entre os pensamentos da noite,

Ligações que são feitas de forma afoite,

Abro o livro e leio mais um capítulo deste romance,

Que agradável é saber que a leitura está ao alcance,

De quem aprende a ler pela primeira vez,

Ou sabe que dançar seja apenas um talvez.

M.

 

 

agosto.

 Tento que as coisas façam sentido neste círculo sem fim,

Tudo gira sem corda ou sem explicação,

Vamos dando pancadinhas de empurrão,

Olhamos para o céu e desejamos as nuvens de alecrim,

Procuramos as respostas para as perguntas de ninguém,

E sabemos que apenas somos alguém,

Que descobre um vento que toca o nosso rosto,

E assim nos deitamos nas praias de agosto.

M.

 

 

aventura.

 Não quero fugir deste mundo sem sentir o teu fulgor,

Viajo por entre as pessoas do cotidiano sem descobrir,

Estendo a minha mão ao longo do passeio para sentir,

Que o tempo é passageiro e eu quero o teu amor,

Não te quero ver sem esse sorriso que me dá alento,

Nas voltas desta cidade que avança eu quero o meu momento,

Feito de pérolas luzidias e transcendentes como água pura,

Porque tu és a minha grande aventura.

M.

 

 

 

 

 

 

Sobe.

Sobe sobe devagarinho até ao cimo deste desfiladeiro,

Desce desce por este caminho ao lado do teu companheiro,

Vem vem passo a passo por entre as rosas que são vermelhas,

Dá-me dá-me o doce que o teu mel é feito de abelhas,

Beija-me beija-me porque o teu beijo é de jasmim,

Acorda-me acorda-me porque assim quero que venhas a mim.

M.

 

 

 

jubileu.

 Veludo que se estende no palco deste teatro,

As luzes semicerradas iluminam a magia,

As cortinas deslizam devagar até aparecer,

A voz que nos encanta ao luar de esquecer,

E no brilho dos cintilantes pirilampos o nome Sofia,

Invade com o seu perfume a plateia que esmorece,

Ao saber que o seu sonho é feito de algodão doce,

E que o suor das minhas mãos de quem derramaria,

O sangue de uma luta por saber que és tu,

Aquela com que eu irei até ao meu jubileu.

M.

 

porcelana.

Atravesso as membranas da realidade,

Entre as sombras do universo que se esconde,

Por detrás de uma montanha em ansiedade,

Que grita para lá das estrelas que responde,

Uma melodia que percorre o perfume deste lugar,

Embriagado num sentimento para divagar,

Nas musas que habitam o nirvana,

Sem saberem que nada é de porcelana.

M.

 

fulgor.

 Sento-me sem saber o que pensar,

Perco-me nas passagens deste livro,

Sei ler as letras que fazem beijar,

Do compositor que fazem o obreiro,

De uma pauta sem fulgor,

Para quem a escrita é de vigor,

E o coração a sua inspiração.

M.

 

mar.

 Devagar vai o andar deste molar,

Brotado de um buraco aparece o pomar,

Num instante de crescer uma borboleta a voar,

De copo cheio a sede de salvar,

Sem compor, mas com vontade de falar,

Numa pauta sem orquestra de embalar,

Assim vai o homem ao mar.

M.

 

 

 

 

chamar.

 Olho no horizonte à procura do meu farol,

Lanço às águas de sal o meu anzol,

Escurece o dia em sol de prata,

Sigo em frente e atiro a beata,

Corta o vento de fininho pela neblina,

Aguento mais um pouco junto à colina,

E vejo ao longe a luz de uma estrela,

De tons rosa se veste esta Cinderela,

Que sorri por entre as brumas do mar,

Como se estivesse por mim a chamar.

M.

 

universo.

 Através do som dos confins do universo,

Surge como um raio de luz no multiverso,

Um átomo que se desprende do fio da vida,

Uma curva que se faz pela esquerda,

Com velocidade e sem olhar pelo retrovisor,

Navegamos por entre as nuvens sem sensor,

Derramamos o suor da vertigem deste espaço,

Porque sabemos que isto é apenas mais um pedaço,

Do tempo que em podemos ter um momento,

E nos deitamos a contemplar este sentimento.

M.

 

 

 

trilho.

 Não importa o caminho que tu trilhaste,

Quero apenas saber o que deve ser o futuro,

Vou por aí à procura daquilo que tocaste,

Nas rimas daquilo que escrevo em forma de seguro,

Pelas estreitas ruelas do bairro azul,

Sem desviar da força de quem ruma ao sul.

M.

 

 

 

 

 

 

 

cortina.

 Não precisas de ver através da cortina,

As framboesas que luzem estão à tua espera,

Um rio de águas bravas que fogem à rotina,

Mesmo que a terra que te toca seja áspera,

Foge comigo junto à floresta de ciprestes,

Descobre um caminho por entre os corpos celestes,

Vem e dá-me a tua mão que te agarro até ao fim.

M.

 

 

bolina

 Acorda e vem ver o que o dia espreita,

Uma névoa invisível que se dissipa,

Voa alto e sem pudor até ao alto daquela colina,

Sei que posso ter contigo uma história,

Quem sabe um momento fora de órbita,

Nem que vá pela estrada à bolina,

E te leve comigo para a minha equipa,

Para jogar fora o nosso medo e ansiedade,

E em mel de cabanas viver a nossa felicidade.

M.

 

 

 

 

bravura.

A bravura define o teu sangue,

Feito de força e vontade de lutar,

Pelo campo passeias o teu ataque,

Quando sais para a arena é para mostrar,

Que mil homens não te derrubam,

Nem cavalos que te subam,

Porque a tua coragem é da terra,

Que te dá o poder de uma serra,

Assim és tu ó toiro de Salvaterra.

M.

anda.

 

Anda comigo ali até ao cimo desta rua,

Olha para baixo e diz o que vês lá em baixo,

Sente com o teu coração o que flutua,

Naquele lago lá ao fundo que brilha na água,

É lá que está o que sempre me foi perplexo,

Salta sem parar e vê onde estou,

Agarro na tua mão e acredito que o dia chegou,

E na rua desta cidade voltamos a ser,

Porque apenas é o que queremos ter,

O amor de duas Almas.

M.

 

comum

 Suavemente ao longo da margem deste rio,

Uma brisa que corre pelos fios dos teus cabelos,

Um murmúrio que se ouve como um assobio,

Que acompanha ao som de violoncelos,

Para a ti mostrar o sentimento que pinta a tua pele,

Vestida de arrepios de prazer,

Porque contigo eu quero ascender,

Ao dia em que nos tornamos apenas um,

E descobrimos o nosso amor comum.

M.

 

 

entardecer.

Minha vontade de respirar e viver,

Caminho que quero ter e saber,

Que ao meu lado a tua presença é querer,

Na verdade de descobrir o nosso entender,

Quero levar-te até ao entardecer,

Daquele dia onde iremos adormecer.

M.

 

 

liberta-me.

 Liberta-me e leva-me ao mundo dos sonhos,

Abraça-me e beija-me como nos dias do fim,

Caminha e não olhes para os tempos medonhos,

Deixa-me ser aquele que não gasta o teu latim,

Acredita na força na energia que nos rodeia,

E nas cores do dia nos deitamos nesta areia,

Com os nossos corpos a escorrer suor,

E na loucura do nosso amor nada é inferior.

M.

 

 

 

 

raiar.

 Um sorriso que aparece no raiar do dia,

Uma sensação que derrete enquanto trazia,

Um momento que agarro nesta mão suada,

Nas curvas do tempo que levam esta estrada,

Até aos confins de uma praia deserta,

Onde a Alma se sente descoberta,

Por finalmente adormecer em ti.

M.

 

prata.

Um dia lindo de sol à janela,

Uma brisa que adormece no teu sorriso,

Um beijo que dou na minha estrela,

Uma vontade de voltar a ter o teu riso,

Neste abraço a que chamamos de vida,

E numa chuva de prata agora vertida.

M.

 

 

olá.

 Olá, menina bonita, que vais a correr,

Olá, Princesa jeitosa, que vais a passear,

Olá, delicado Anjo, que vieste até aqui,

Olá, minha paixão, que me fazes gemer,

Olá, minha vida, que contigo quero chegar,

Olá, meu amor, que contigo ascendi.

M.

moça.

 Tu ó moça que vais a passar,

Tu ó moça que perfumas este ar,

Tu ó moça que cegas o meu olhar,

Tu ó moça que tens um sorriso de encantar,

Tu ó moça que danças ao luar,

Tu ó moça que me levas ao altar,

Tu ó moça que tens o meu amar,

Tu ó moça.

M.

improvável.

 Acordo em sintonia com o meu querer,

Levanto um a cortina de mais um dia de saber,

Em ti descubro a vontade de viver,

Sem ti não sei o que mais me pode acontecer,

Abri a porta de um lugar escondido,

Saber que em ti todo um desejo está rendido,

À mercê do sal e do vento que acalma,

Ou da tormenta que acorrenta a minha Alma,

Tenho medo de voltar a errar,

Mas sei que tudo farei para amarrar,

Aquilo que sinto neste amor improvável.

M.

 

 

sou

 Tenho sede de voltar a sentir,

Quero correr entre as pedras daquele riacho,

Banhar-me nas margens e ficar borracho,

Olhar para o céu e bem alto rugir,

Saber que a vida também sorri,

E que pelo caminho muito aprendi,

E ao ver-te naquela varanda,

Acreditei que o Amor não abranda,

E que o teu beijo em mim despertou,

A vontade de voltar a saber o que sou.

M.

tela.

 Enrolo-me nos lençóis à tua procura,

De que cetim és feita que me deixas na loucura,

Desbravo esse teu corpo selvagem,

Encontro em mim toda uma coragem,

De percorrer sem fulgor até beijar os teus seios,

Estremecer de cansaço e sem receios,

Que o prazer que me dás,

É a fonte do que nos satisfaz,

Num momento de tempo que congela,

Nesta vida que pintamos através de uma tela.

M.

 

calor

 Trazes contigo um perfume que agita o meu ser,

Levo comigo a calma e a paz para o teu renascer,

Não quero queimar etapas sem sentido,

Mas sei que por ti já estou possuído,

Os dias vão ser de alegria e felicidade,

As noites vão ser de paixão e fervor,

Numa neblina que se dissipa sobre a tempestade,

E num abraço eterno sentimos o nosso calor.

M.

 

 

azul-marfim

 Brilhante céu vestido de azul-marfim,

Um momento que se move em mim,

O desespero de não saber o futuro,

Rasgo as memórias num sentimento obscuro,

Purifico o meu lar para te acolher,

Mesmo que não queira esquecer,

Eu sei que em ti a minha vida deposito,

Nas tuas mãos eu quero o infinito,

Saber que lavamos as nossas almas,

E no amor assim ficam as nossas memórias.

M.

 

 

 

 

 

salgadas.

 Sou um ente entre os doentes,

Chora-me a Alma nas sombras dementes,

Olho pelo espelho à procura de uma resposta,

Ao longe vejo a luz naquela encosta,

Será o sinal de partida?

Ou será apenas a luminosidade refletida?

Tenho uma vontade de partir,

Mas sei que apenas quero sentir,

Num movimento de águas agitadas,

que vão e vem nas marés de lágrimas salgadas.

M.

 

indestrutivel.

 Quero encontrar a minha paz de espírito,

Lutar entre os Deuses do olimpo,

Lançar ao mar as palavras que grito,

No vento as cinzas que leva o tempo,

Dentro de mim a vontade de fazer diferente,

Vejo contigo um caminho que é brilhante,

Cruzo entre as ruas desta cidade para descobrir,

Entre as memórias e os receios vejo em ti o meu elixir,

Da fonte onde procuro provar o teu mel,

E construir contigo um Amor que seja indestrutível.

M.

 

 

 

 

Luar

 No baloiçar das ondas o sorriso do teu mar,

Na brisa do vento o perfume do meu lar,

Sinto uma vontade de te amar,

Porque em ti descobri o meu encantar,

Quero saber o quanto te posso dar,

Naquele que é um dia de luar.

M. 

movimento do tempo.

 São luzes que se desprendem do céu azul,

Pela curvatura das nuvens uma chuva miudinha,

Olho para cima à procura do caminho para sul,

Sinto a esperança de estar novamente à tua beirinha,

Pela janela observo o movimento do tempo,

A pensar na vontade de voltar a abraçar o teu corpo,

No desejo de beijar a tua boca de mel,

Quero que contigo tudo seja possível,

E este momento faça parte da nossa energia,

Que é escrita na Alma da nossa história.

M.

 

 

 

 

 

comigo

 Descobre comigo um novo livro dos sonhos,

Adormece comigo e descansa nos meus braços,

Sobe comigo até às montanhas pintadas de branco,

Voa comigo pelos céus até aos povos castiços,

Anda comigo até aos confins deste desfiladeiro mágico,

Aquece-te comigo nas noites escuras de invernia,

Faz amor comigo quando o teu coração estiver em sintonia,

Vive comigo neste momento a que chamamos vida.

M.

 

 

beijo

 Sento-me naquela mesa ao fundo,

Num canto recôndito e escondido,

Numa luz semicerrada observo a sua dança,

Quase sem folego solto mais uma fumaça,

O meu copo já vai quase no fim,

Que alegria que transpira naquele manequim,

As minhas mãos suam de esperança,

Sei que não sou uma criança,

É como se apaixonar pela primeira vez,

Em que tudo é timidez,

A coragem enche o meu peito,

E quase sem jeito,

Caminho em direção ao teu beijo.

M.

 

escura

 Toca com o teu sorriso o mar dos meus sonhos,

Deixa correr o teu suor pelo corpo do tempo,

Não deixes que os dias sejam enfadonhos,

Leva a minha Alma a passear pelo verde do campo,

Esta é a aventura que queremos fazer,

O caminho que trilhamos para crescer,

Mesmo que a noite possa ser escura,

Não me vejas como uma criatura.

M.

 

 

amanhecer

 Montanhas que se avistam pelos olhos deste horizonte,

Veredas que nos trazem sensações para voltar a descobrir,

Abraçamos o vento que nos beija junto à fonte,

Nas flores silvestres o perfume com que quero seduzir,

Aquele que é o desejo de ver-te feliz,

Sei que não tenho uma mão cheia de rubis,

Mas acredito que vais ver o que realmente importa,

E comigo vais atravessar aquela porta,

No caminho que escolhermos,

E juntos falaremos,

Do prazer de estarmos a viver,

E nos teus braços eu espero o amanhecer.

M.

 

 

 

 

fera

 Pairam no ar as nuvens da mudança,

Vivo em mim um momento de esperança,

Saber que a deriva desta vida foi ao teu encontro,

Nesta bússola que navega com o marinheiro,

Procurando entre o céu a estrela do Norte,

Olhando no horizonte onde está a sua sorte,

E numa miragem de sol e chuva,

Era assim que ele sonhava,

Tocar a sua pele e beijar a sua boca,

Que em tudo me provoca,

E na inocência da tua Riviera,

A rebeldia de uma fera.

M.

 

sementes

 Estamos a lançar à terra as sementes do nosso amor,

Quero contigo criar as raízes de uma sequoia milenar,

Saber que não pode existir tempestade ou diluvio que nos faça tombar,

Mesmo com estrias do tempo e as folhas caídas quero ter fulgor,

Para te abraçar e dizer-te as palavras que o meu coração sente,

Ver-te sorrir e sentir o teu beijo inocente,

E levar comigo essa sensação de que o dia foi nosso,

Porque em ti nada é por excesso.

M.

abrigo

 Na orla costeira o som de um búzio conta uma história,

Uma andorinha do mar que passa e espalha o sal,

Na areia escrevo as palavras da nossa memória,

As ondas que nos beijam os pés como num postal,

Naquela ilha onde os amantes se aventuram,

Sonhando que o mundo é um lugar de magia cristalina,

Onde as rosas nas colinas de vermelho assim figuram,

E nos nossos beijos libertar-se uma adrenalina,

No perfume do amor que fazes comigo,

E nos teus braços eu sinto o teu abrigo.

M.

 

leão.

Salto no vazio deste espaço sideral,

À procura de um sentimento primordial,

São nuvens de sombras que se movem,

Mas não são elas que me demovem,

Quero preencher o teu coração de alegria,

Juntos ao mar procuramos a nossa travessia,

No teu perfume procuro a minha essência,

No fogo do teu amor a minha transcendia,

No meu beijo o calor desse furacão,

que se despe na vontade deste leão.

M.

 

 

 

 

vigor.

 Sou um bago de nada que tenta ser,

Sei que não sei viver,

A minha força reside na força do ter,

A loucura de querer,

Sentir que me podes seguir,

Naquele que é um caminho para fluir,

Sabendo que teremos as nossas cicatrizes,

Mas vamos em frente e seremos ferozes,

Na luta pelo nosso Amor,

Eu quero ter em ti o meu vigor.

M.

 

eternidade

 No movimento das estrelas és aquela que brilha,

Na noite em que me deito ao teu lado,

Sussurro ao teu ouvido o meu amor perfumado,

Sei que o teu sangue em tudo fervilha,

Na minha vontade és a fonte da minha inspiração,

Na serenidade quero ver-te no meu coração,

Encontramos o nosso caminho por entre a diversidade,

Porque tu és o meu compromisso para a eternidade.

M.

 

mundo

 Quero fazer-te feliz nos dias cinzentos,

Pegar na tua mão e partir sem rumo,

Preencher o meu vazio com os nossos momentos,

Saber que em ti e no teu coração eu durmo,

Desenhar com linhas de marfim os sonhos de cetim,

Acordar no vale dos lençóis com cheiro a jasmim,

Beijar-te na boca e sentir o mundo,

E saber que o nosso amor é profundo.

M.

 

 

 

briol

 Sons ao vento que levam palavras de esperança,

Descem sobre os montes cantantes a força da mudança,

Quero respirar o ar deste novo andar,

Num dia de felicidade quero desbundar,

Somos uma faísca que se desprende do Rei Sol,

Abraçamos os nossos corpos porque está briol,

Queremos estar nesta nova descoberta,

Como uma borboleta que desperta,

Na luz que a vida nos pode trazer,

E no amor que nos pode satisfazer.

M.

desconcerto

 Um desconcerto que concerta a Alma,

Um turbilhão de borboletas que na tua palma,

Um desejo ardente que sobe pela espinha,

Um beijo sentido que te dou na caminha,

Um abraço que me dás no meu coração,

Um sentimento que nos inunda a paixão.

M.

 

deserto.

 Já fui um marinheiro de águas do deserto,

Sem sal e sem sabor assim era o meu ardor,

Cego de nada ver que ao meu lado estava perto,

Como um jardineiro que não vê a sua flor,

Mas o destino é feito de encontros e desencontros,

Numa senda sem fim a fiquei em apuros,

Abrir o que estava fechado e voltar a sorrir,

Para em ti voltar a redescobrir,

A vontade de voltar a sonhar que a vida é bonita,

E de perder-me na tua magia infinita,

Naquele beijo de mel,

Que espalha perfume a granel,

E me confunde no meu pensar,

Só para querer amar.

M.

animação.

 Tudo é chão e tudo é cão,

Dá-me a tua mão,

E vamos de avião,

Caminhar sobre as nuvens de algodão,

Na minha imensidão,

E na tua paixão,

Eu levo o meu coração,

Que se deita junto ao teu vulcão,

À espera de mais animação.

M.

encanto.

 Foram mil anos de vida que vivemos,

São mais mil anos para descobrir onde iremos,

Sabemos que nada sabemos,

Queremos acreditar que tudo é passageiro,

Olhamos para o tempo como nosso parceiro,

Num abraço profundo admiramos as estrelas,

Traçamos sonhos levados em caravelas,

Que navegam pelos sete mares do nosso encanto,

Enquanto esperamos no cais pelo seu banto.

M.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

transformar.

 Ouve uma voz ao longe que te chama,

Fecha os olhos e lembra-te de mim junto à cama,

Deixa-me levar-te a descobrir coisas simples,

E ao mesmo tempo passear numa praia das Seychelles,

Nesta senda feita sobre seixos do mar,

Na fúria das vagas aprendem como se transformar,

Para um dia refletir o desejo de ver,

E junto a ti sorrir a pensar no que escrever.

M.

 

jeitosa.

 Menina bonita que vais pela rua,

Com os teus cabelos perfumas o vento,

A tua presença faz parar quem passa,

Para ver a tua incrível beleza,

Uma donzela que passeia a sua graça,

No teu olhar de duquesa,

Eu só vejo uma miúda jeitosa,

Que um dia olhou para mim,

E na loucura de a ver fiquei eu assim.

M.

toque.

 Nos teus olhos um dia eu mergulhei sem receio,

Corre-me o sangue nas veias de querer um dia mais,

Assalta-me o calor pela espinha porque em ti nada é demais,

Solta-me destas amarras que eu carrego que nem um sucateiro,

Vamos sorrir e brincar na areia,

Lançar desejos ao mar enquanto sonhamos com a ceia,

De um jantar à luz de velas junto à aldeia,

Onde apenas as boas vibrações são recebidas,

E as nossas preces são atendidas,

E no meu toque na tua mão,

Eu sinto o meu coração,

De saber que és a minha paixão.

M.

lar.

 Um novo amanhecer que surge no horizonte,

Vamos iniciar uma nova travessia por esta ponte,

Lançar ao poço uma moeda e pedir um desejo,

Fazer as malas e rumar ao Alentejo,

Sem planos e sem receios,

Como dois viajantes que caminham sem rodeios,

Partem à descoberta da sua liberdade,

Longe de tudo encontram a sua unidade,

São rosas do mesmo canteiro,

Que nascem junto ao mosteiro,

Entre a sombra e a luz das suas paredes,

Descobrem as suas virtudes,

Numa dança ao luar,

Encontram o seu lar.

M.

 

pequeno-almoço

 Esta é a primeira página deste capítulo,

Não será com certeza o romance do século,

Mas é nele que iremos verter o nosso amor,

Recheado de peripécias e aventuras,

E sei que terás dias de mau-humor,

Porque eu sei que posso fazer diabruras,

Mas este caminho é nosso e só nosso,

E nele tu e eu acordamos ao pequeno-almoço,

Num beijo no teu pescoço,

Digo a ti que te amo.

M.

 

dama.

 Quero viver em paz e sem receios,

Procuro em ti a minha casa de feiticeiro,

Quero contigo fazer magia até ao amanhecer,

Levar-te aos lugares onde a água é pura ao entardecer,

No encanto da floresta ver-te no nevoeiro,

Como uma fada que nos aparece sem anseios,

Para cortejar aquela que me ama,

Porque ela é a minha dama.

M.

 

 

extraordinário.

 Encosta a tua Alma ao meu peito,

Acredita que o nosso caminho será feito,

Liberta-te da tua ansiedade e vem comigo,

O que podemos construir será contigo,

Tens receio e eu também tenho,

Mas acredito que temos o engenho,

Para que alegria nos nossos corações,

Seja extraordinária até para os tubarões.

M.

harmonia.

Olha para mim e descobre o fogo que lá vive,

Num sonho estou a arriscar a minha Alma,

Neste caminho sem trilho adormecido estive,

O meu coração voltei a abrir para o mundo,

Acredito que o teu olhar é o meu amor profundo,

Lembra-te sempre das minhas palavras,

E ilumina o teu coração nas noites obscuras,

O meu beijo no teu corpo é verdadeiro,

A tua caricia no meu rosto é magia,

Mesmo que nem sempre seja um cavalheiro,

Tu és a minha harmonia.

M.

 

 

alegria.

 Quem sou eu para querer ser feliz,

Um ser que apenas é uma cicatriz,

Olho o espelho na esperança de ver,

Quero aprender a ser,

Serei eu capaz de fazer-te minha Princesa,

Terei eu a força de manter-me na minha natureza,

Quero que sejas a minha mulher,

Acordar contigo no vale dos sonhos e agradecer,

Aos anjos que nos uniram neste dia,

Para que as nossas vidas possam ser de alegria.

M.

 

 

ascensão.

 Um remoinho de sentimentos e emoções que me assaltam o espírito,

Neste dia cinzento invadido por luz e trevas,

Fechamos a porta à procura que o caminho seja sânscrito,

Sejam estas águas agitadas até que fiquem turvas,

Delas irei emergir sem medo ou temor,

Na tua Alma eu acredito que está o meu amor,

Teremos desafios e diferenças por enfrentar,

Se soubermos cultivar iremos fazer brilhar,

Aquilo que é a nossa paixão,

Transformada num amor de ascensão.

M.

 

 

esperança.

 Um novo dia e uma nova esperança no horizonte,

Num equilíbrio impossível quero fechar este capítulo,

Quero correr até ao fim deste monte,

Zarpar com a minha Alma até aquele pináculo,

Agarrar esta nova oportunidade e abraçá-la em exaustão,

Fugir entre as árvores desta floresta de paixão,

Construir um novo momento que possa ser de felicidade,

Nas asas de uma águia procuro essa cumplicidade,

Quando dois seres transmutam as suas energias,

Num raio cósmico que atinge as nossas rebeldias.

M.

 

 

Tu.

Tu ó menina que vais na rua,

Olha para mim e não sejas crua,

Tu ó menina dos cabelos de terra,

Olha para mim e não me deixes na serra,

Tu ó menina dos lábios de mel,

Olha para mim e não me deixes sem pincel,

Tu ó menina do vestido provocador,

Olha para mim e não me deixes sem amor.

M.

luta.

 Sinto uma melancolia que me atravessa o corpo,

Dias que são fios de lembranças perdidas,

Os sons de anjos ao meu ouvido fazem-me chorar,

Quero ter-te para mim ao luar,

Mas o medo de falhar uma vez mais me assola,

O teu sorriso invade-me a Alma,

Mas não quero desiludir-te na minha loucura,

Porque sei que não serei sempre uma doçura,

E não quero perder a tua felicidade,

Nem que tenha que lutar com dragões,

Terei sempre em ti a minha Princesa.

M.

 

 

renascer.

 Afogo os meus pensamentos em dias de cinza-azul,

São reflexões de quem contempla o seu esplendor,

Destinos que rumam ao sul,

Perfume que invade os poros do meu respirar,

Bem sei minha beija-flor,

Por ti eu quero transpirar,

Mas sei que ainda um caminho temos que percorrer,

E sei que não quero te fazer sofrer,

Quero acreditar que podes ser feliz comigo,

Ainda que em mim tenha receio que apenas me queiras como amigo,

Lutarei por fazer o melhor que puder,

E comigo possas também renascer.

M.

 

 

Letras

​Nem escrever agora sei, Letras que me deixem sonhar, Um momento de alegria contigo, Falar de sentimentos ao luar, E deitar-me contigo na en...