Beijo.

 Atravessamos este passeio até ao cimo,

Prende-se o teu vestido nas escadas de limo,

Ao longe surgem os primeiros acordes,

Revela-se em ti uma surpresa,

Numa atmosfera de intimidade,

As velas iluminam o teatro,

A minha mão toca a tua,

Quero sentir-te neste momento,

Violinos desenham no ar um sentimento,

Preenche-nos todo o nosso espaço,

E sem qualquer desembaraço,

Surgem cisnes nos acordes desta melodia,

Uma história que se conta neste dia,

Uma vontade que edifica um instante,

Num segundo que é escrito num beijo excitante.

M.

 

 

Tempo.

 Desço pela colina abaixo,

O chão irregular trava o meu andar,

O som dos riachos e ribeiros encantam o meu silêncio,

A paisagem que deslumbra o meu olhar,

As árvores que preenchem o meu caminhar,

Deslumbra-me este pavimento secular,

Aqui passaram outrora gente de louvar,

Sinto-me privilegiado neste andar,

Mantenho-me naquela direção,

Para um lugar onde quero estar,

Na crença da minha visão,

Que um dia iluminou o meu coração,

Talvez seja este o momento,

Pelo qual esperamos este tempo.

M.

 

dia santo.

 A brisa do orvalho pela manhã,

Sussurra ao ouvido esperança e lembrança,

Respiras e sentes o sabor do pinheiro,

O som da água pura a passear por entre as pedras,

A tranquilidade de quem anseia,

De um dia que passeia,

Pelas montanhas e pelos campos,

À procura dos momentos,

Numa tormenta de cata-ventos,

Seguem os cavaleiros,

Na luta pela sua donzela,

Serram dentes e partem sem cautela,

O seu amor querem conquistar,

Vertem o seu sangue sem se escudar,

Na vontade de serem dignos do seu leito,

Reclamam para si o direito,

De beijar o seu encanto,

Neste dia santo.

M.

cascata.

 Acordo com o som da acalmia,

Pela janela um manto de verde sálvia,

Uma névoa veste o lameiro,

As galegas aproveitam a frescura da manhã,

Eu sento-me a pensar no amanhã,

O sol sorri por entre o véu do amanhecer,

Lembro-me do teu sorriso,

Sinto-me feliz por seres o que preciso,

Mas sei que o caminho é longo,

Mesmo sem jibongo,

Lutamos pela nossa felicidade,

Abraçamos a nossa diversidade,

E beijamo-nos ao som de uma cascata.

M.

 

seremos nós.

 Olhar para ti é um desejo,

Acordar contigo é mais um ensejo,

Entre dias e noites,

Avança o tempo de sem limites,

Quero ser o cozinheiro do teu manjar,

O jardineiro do teu jardim,

Regar o teu corpo de marfim,

Dançar ao luar,

E saber que somos felizes,

Sem receios de sermos diferentes,

Com ambição de sermos adolescentes,

Duas almas e um coração,

Seremos nós.

M.

 

Love.

 A vida é um mistério,

Cada dia que vives um privilégio,

Somos Almas que vagueiam,

E na esperança de se encontrarem anseiam,

Mas podemos ser simples,

Como uma música de beatles,

What you need is love.

M.

 

 

Juntos.

 Junto à beira-mar banhamos as nossas almas,

Uma onda apanha o nosso trilho,

De mãos dadas salpicas com sal a minha vida,

Com o meu ser beijo essa tua boca,

Na cor purpura do sol contra o mar,

Surge nas nuvens um véu de amar,

Abraço-te,

Deixa-me ser teu,

Quero que sejas minha,

Lutemos pelos nossos sonhos,

Iremos até ao fim,

Juntos.

M.

 

A vereda.

 Uma esperança que nasce do nada,

Num momento de tertúlia um feitiço,

O perfume que me invade o olfato,

Desperta em mim este sentimento,

Sinto um medo a invadir o meu corpo,

Fico paralisado sem saber como seguir,

Volto a sentir o se passa dentro de mim,

Que vontade é esta que tenho que perseguir?

Uma coragem que me assalta o espírito,

Tenho que ser capaz de lhe dizer,

Tenho que ser capaz de beijá-la,

Todo o medo em mim acorda,

Mas não me interessa,

Porque os olhos me encantam,

Porque o teu sorriso me desconcerta,

Porque o teu amor quero sentir,

Dou mais um passo,

Subo devagar por esta vereda,

Quero encontrar-te,

Vou encontrar-te,

E tu vais beijar-me.

M.

 

Tela.

 Acordo bem cedinho,

Lembro-me de uma visão,

A minha impaciência alastra pelo corpo,

A minha tela está pronta,

Quero prender aquela magia do meu sonho,

Perante o branco de neve,

Procuro a cor dos olhos dela,

Mel, cor de mel,

O seu rosto,

O sorriso que derrete,

Tremem-me as mãos,

Mas não posso parar,

Mais um gole de café,

Mais uma pincelada que ganha cor,

Que nem Fidípides corro esta maratona,

Tenho que acabar,

Este quadro que imaginei,

Um sonho que vivi,

Uma vida que quero viver.

M.

Fortes.

 Olha os meus olhos,

Descobre os seus segredos,

O teu medo é o meu medo,

A minha vontade é a tua vontade,

Juntos iremos caminhar,

Encontrar os nossos desafios na travessia,

Apreciar os momentos do nosso amor,

Colher os frutos da nossa paixão,

Sem receios ou dramas,

E com a esperança que ambos,

Numa aprendizagem,

Seremos mais fortes e unidos.

M.

Por entre.

 Por entre penhascos e abismos corre a minha alma,

Por entre desfiladeiros e florestas solto o meu coração,

Por entre rios e ribeiras lavo as minhas mãos,

Por entre campos e leiras trabalho o meu corpo,

Por entre traumas e fobias luto com bravura,

Por entre loucuras e devaneios penso no teu beijo,

Por entre pensamentos e rabiscos dou-te o meu coração.

M.

 

Encantamento.

 Me encanta a brisa do mar junto à falésia,

Me encanta o calor do sol junto ao meu corpo,

Me encanta o sal que salpica para os meus lábios,

Me encanta o perfume das flores silvestres que se deitam ao meu lado,

Me encanta o som do vento nas ondas bravas,

Me encanta os fios de mel que banham o teu corpo,

Me encanta o teu sorriso de guarda o teu mistério,

Me encanta as tuas mãos que tocam o meu rosto,

Me encanta o jeito especial de falares ao meu ouvido,

Me encanta saber que podemos estar juntos,

Me encanta descobrir o caminho até ti,

Me encanta beijar-te com intensidade,

Me encanta abraçar-te num momento de paixão,

Me encanta.

M.


Veludo

 Tu és a pérola da minha concha, 

Procuro em ti o segredo que guardei, 

Num lugar onde tu encontraste, 

Sem que fosse capaz de entender, 

Iluminaste aquilo que era escuro, 

Fizeste acreditar que era possível, 

Voltar a ser feliz, 

Dar-te a mão e voltar a sonhar, 

Que um dia iremos estar, 

Naquela cama de veludo, 

A fazer amor na nossa paixão. 

M. 



Plumas

 Um dia é um dia,

Uma noite é uma noite,

Simples pode ser o caminho,

Complexo é ser chatinho,

Damos mais uma volta,

Viramos à solta,

Sem pensar,

E sem descansar,

Unimos as nossas almas,

E voamos nas nossas plumas.

M.

Lapidar.

 Que caminho é este que pisamos,

Não é seda e não é lama,

Olhamos em frente sem remorsos,

Temos vontade de contar os passos,

Na minha direção,

Na tua direção,

Que importa isso,

Se é por aqui que nada fica omisso,

Pela estrada largamos as nossas drogas,

Porque não temos tempo para folgas,

Num beijo que queremos dar,

Para este Amor lapidar.

M.

 

 

 

Um passo.

 Hoje um passo mais foi dado,

Bem sei que é ainda com cuidado,

Arrumado está o meu passado,

Por descobrir o meu futuro,

Comigo uma Princesa que é um tesouro,

Bem sei que é ainda cedo,

Mas desespero por este novo enredo,

Quero ser capaz de cavalgar,

Por entre trilhos e veredas encontrar o meu lugar,

Junto a ti,

Quero ficar,

Para este capítulo edificar,

Com a cor dos nossos corações.

M.

 

 

Comboio.

 Sento-me junto ao banco de ferro,

Uma multidão que se move à procura do cincerro,

Escuto ao longe o som do vapor a uivar,

Este é o comboio que vai para ovar,

Não é o meu com certeza,

Aguardo a resposta da natureza,

Olho para baixo,

Sei que não sou lixo,

Arrebito o meu olhar,

Procuro com que partilhar,

Pelas escadas uma visão a descer,

Que beleza é aquela que acaba de florescer,

Todo o meu ser estremece de prazer,

Desperta em mim uma loucura de dizer,

O amor que quero ter contigo.

M.

 

O Monge.

 Cai a noite no prado encantado,

Chora o mocho à procura da sua lua,

A névoa veste a penumbra da floresta,

Nas folhas o odor de um perfume,

Um abrigo ao longe,

Feito no regalo do monge,

A luz da vela ilumina o seu interior,

Que medita num ser maior,

O vento assobia junto à sua janela,

Em cima da mesa o seu chá de canela,

Aquece o seu coração,

Procura na imagem de uma fada a sua inspiração,

Adormece,

A sonhar no dia da sua libertação.

M.

 

 

 

Felicidade.

 Vagueio entre os meus pensamentos,

Luto contra os meus demónios,

Acredito naquilo que sinto,

Acredito naquilo que sentes,

Sei que posso ser feliz,

Sei que podes ser feliz,

Entre luz e trevas,

A esperança de uma vida,

Vamos abraçar o momento,

Lembrar que somos o tempo,

Beijar o vento,

Neste advento,

A que chamamos felicidade.

M.

Acredita.

 Acredita nas minhas palavras,

Acredita nas minhas emoções,

Acredita nas minhas intenções,

Acredita nas minhas vontades,

Acredita nas minhas mãos,

Acredita nas minhas loucuras,

Acredita nas minhas tolices,

E sim,

Acredita no meu coração.

M.

 

 

Frases.

 Não estou aqui para fazer rimas,

Apenas escrevo as minhas cismas,

Revelo a ti os meus traumas,

Como uma confidente das minhas amimas,

Não estou aqui para fazer dramas,

Apenas procuro em ti a matéria das obras-primas,

De um artista de frases ínfimas.

M.


Minha flor.

 És a minha flor mais bonita,

O teu perfume em mim grita,

Não te quero perder,

Sinto o meu coração a desprender,

Deixa-me cuidar de ti,

Revelar o que senti,

No dia em que te vi.

M.

Cabana.

 Descalço e destemido avanço por esta estrada,

Sinto a irregularidade do seu tapete nesta jornada,

Mas não é a dor que me fará parar,

A brisa perfumada da erva molhada incentiva o meu andar,

Mais um passo na tua direção,

Mais um degrau na minha salvação,

Ao longe espreito uma cabana,

Sigo ao seu encontro guiado por esta lucerna,

Sei que estás lá,

E corro cada vez mais para te dizer olá,

Abro a sua porta,

Espreito pela cortina torta,

Um sorriso que ilumina,

A minha mão que se liberta,

Um beijo que acontece.

M.

 

 

Um dia sem ti.

 Um dia sem ti é um dia perdido,

Conto as horas para voltar a estar contigo,

Afogo estes pensamentos em versos,

Desespero pelo teu beijo,

Voltar a olhar teus olhos e dizer-te,

O que o meu coração me diz,

O que a minha Alma sente,

Quero ser o teu confidente das tuas histórias,

Quero ser o teu aprendiz dos teus ensinamentos,

Quero ser o teu amante das noites de verão,

Quero ser o teu porto de abrigo,

Numa viagem sem destino.

M.


Fénix.

 Uma chuva miudinha atravessa o teu corpo,

Nas minhas mãos uma poesia com que me leito,

Provoco-te uma sensação de prazer,

Que sussurra ao teu ouvido o meu dizer,

Sem pudor e com fulgor,

Entrelaçamo-nos num momento de fervor,

Sentes em mim a vontade de amar,

Sinto em ti a vontade de desfrutar,

Subimos à colina,

Ateamos o fogo com gasolina,

Como uma fénix,

Transmutamos a nossa energia,

Na vontade da nossa ousadia.

M.

 

 

 

 

Hora de partir.

 Abro as portas desta casa fechada,

Liberto-me das coisas mundanas,

Afasto as cortinas,

Deixo os teus raios trespassarem o meu corpo,

Arrumo as memórias de um passado,

No cheiro do rosmaninho perfumo o ar rarefeito,

De quem pouco respirou,

Olho a porta,

É hora de partir,

Quero dar-te a mão e levar-te comigo,

Descobrir novos enredos,

Esquecermos os nossos passados,

Agarrarmos o nosso momento,

E quem sabe,

Sermos felizes.

M.

 

 

 

Bem sei.

 Tiraste-me do pântano do meu desconforto,

Sorriste quando precisa de ver a tua beleza,

Desafiaste-me com o teu olhar,

Procurei em mim,

Que sentimento era este que sentia,

Teremos nós a vontade de atravessar esta ponte?

Bem sei, que terás as tuas dúvidas,

Bem sei, que eu terei as minhas dúvidas,

Bem sei, que somos diferentes,

Bem sei, que temos passados,

Bem sei, que queremos voltar a acreditar,

Bem sei, que teremos os nossos debates,

Mas quero que saibas,

A minha vida pode ser tua,

E gostava que a tua fosse minha.

M.

 

 

Senhor.

 São trevas senhor,

São medos senhor,

São fobias senhor,

São traumas senhor,

São incertezas senhor,

São feridas senhor,

Mas são apenas aprendizagens,

Aquelas que nos fazem viver,

Aquelas que nos fazem entender,

Aquelas que nos fazem sintonizar,

Aquelas que nos fazem voltar a tentar,

Aquelas que nos fazem voltar a acreditar,

Naquele que é o mistério da vida.

M.

 

Abusa.

 Abusa de mim,

Expulsa-me os demónios,

Bate-me com força,

Neste corpo endurecido pelo tempo,

Usa-me nos teus sonhos,

Descobre um aventureiro,

Empurra-me pela vereda abaixo,

Rasgando em mim as minhas fobias,

Solta-me do meu desconforto,

Dançando até doer,

Mas beija-me,

Afoga-me dos teus seios,

Percorre-me,

Sente-me,

E alcancemos o nosso ser.

M.

Amarras.

 O dia começa com um pensamento,

Olho pela janela e espreito,

Desperto as minhas emoções ao som da água me percorre,

Eis de novo uma oportunidade,

Temos que nos despachar,

Tomar café,

E colocar-me a andar,

Quero ir viver e respirar,

Sei que ainda faltam vários degraus,

Mas quero subir mais,

Vou,

E venho,

Só quero abraçar-te,

Deitar-me no chão contigo,

e libertar-te das tuas amarras.

M.

E se.

 E se me dissesses um dia o sonho do teu ser?

E se me dissesses um dia a vontade de quereres?

E se me dissesses um dia um segredo ao ouvido?

E se me dissesses um dia um desejo contido?

E se me dissesses um dia a cor do teu sorriso?

E se me dissesses um dia a escolha do teu coração?

Se me dissesses um dia o anel que usarias?

Se me dissesses um dia o caminho para te encontrar?

Pois então eu digo,

O dia chegou.

M.

 

Pedra cinzenta.

 Diante de mim pego esta pedra cinzenta,

Sinto o seu descanso depois de uma vida azarenta,

No seu desgaste das suas curvas,

Encontramos a erosão das suas arestas,

Viveu e aprendeu,

É hora de renascer,

Pego-lhe com força,

Olho no horizonte,

E atiro-a ao desconhecido,

A tua vida ainda não acabou,

Saltas e saltitas entre as ondas,

Como de alegria estivesse a chorar,

Corres novamente,

Aceitas o destino,

Mergulhas na tua cumplicidade.

M.

 

Alquimia.

 Quero soltar os meus medos,

Deixa-los partir para outros enredos,

De histórias que não a minha e a tua,

Quero roçar esse teu corpo de mistério,

E numa rajada de beijos inundo a tua pele,

Num balão de oxigénio quero viver dentro de ti,

Tocar-te a magia dos teus pés,

E pousar-te sobre mim,

Numa alquimia de prazer,

Como rosas perfumadas lançadas ao vento.

M.

 

 

Abandonar.

 Não consigo controlar os momentos de apatia,

Uma sombra que me cobre a minha letargia,

Não quero baixar os braços,

Tenho que fugir destes pesadelos,

Quero dançar na alegria,

Abandonar as mágoas do meu passado,

Encontrar as pérolas da minha fortuna,

Saber cuidar delas,

Alimentar os seus sonhos,

Tenho que fugir,

Sei com quem quero ir,

Mas tenho medo destes meus negros dias,

Que possam tirar a luz do teu sorriso,

Não mereces,

Não quero,

Inflijo em mim sal sobre estas feridas,

Para restabelecer a energia ascendente em mim,

Que propague em direção ao fim,

Dos dias em que te abraço,

Beijo,

E faço amor contigo.

M.

 

 

 

 

Oceano.

 Neste rio a que chamamos Vida,

Brotamos da sua nascente a nossa inocência,

Tudo é uma descoberta,

A caricia da manhã no orvalho da orla,

O calor do Pai Sol nas faces do rosto,

Sentimos que a vontade de mais descobrir,

Seguimos caminho,

Fluímos pelas margens e pelas leiras,

Subimos e descemos,

No caminho a dor de ultrapassar as barragens,

Aprendemos,

Mas queremos continuar,

Somos água,

Sonhamos com o grande Oceano,

Feito de lágrimas derramadas,

Doces e salgadas,

Mas que souberam sofrer,

E descobrir a alegria de viajar,

Por entre os diques que nos querem parar,

À volta das pedras que se plantam à nossa frente,

Por cima de muros que nos impedem,

Sem parar,

Sem fulgor,

Sempre em frente,

Junto a ti e a mim,

Chegamos à foz da nossa travessia,

E choramos as nossas lágrimas no Oceano da Vida.

M.

 

 

 

 

 

 

Rosa.

 Tu és uma rosa do deserto,

Feita de uma beleza única,

Guardaste em ti as vontades sonhadas,

Um ser de linhas tradicionais,

Uma Princesa de cor pura,

Que esconde em si uma Alma rebelde,

Quero dar-te a minha mão,

Libertar-te das tuas amarras que te prendem,

Levar-te ao cimo da montanha,

Saber que olhas o horizonte,

E lá ao fundo,

Onde o céu beija o oceano,

Reside o nosso caminho,

Longo,

Com desafios,

Que juntos,

Iremos ultrapassar sem receios,

Mostrando às nossas Almas,

Que os nossos corações se uniram na eternidade.

M.

 

 

Neblina

 Uma neblina cinzenta me invade,

Sinto-me confuso nos meus pensamentos,

Sei por onde quero caminhar,

Não quero travar,

Mas sei que não vou esquecer,

Procuro o meu renascimento,

Ao lado de alguém que também o quer,

Nas nossas desigualdades de ser,

Acredito na vontade de crescer,

Aprendermos a estar em sintonia,

Na descoberta de novas emoções,

Porque é assim que seremos felizes,

Enfrentando os nossos pesadelos,

E sonhando os nossos desejos.

M.

 

 

Vento

 Onde é que está o vento,

Aquela brisa que me percorre,

Que espalha o sal por esse corpo,

Para que o possa sentir,

Nos meus lábios,

O paladar desse mistério,

Que se desfaz como gomo de amor,

Livre,

Malandro,

Desconhecido,

Numa explosão de sabores,

Que se desfazem nesta boca.

M

Leveza

 Adoro a tua fúria,

Um vulcão de paixão,

Uma força que me assalta,

Um momento que me aprisiona,

Deixo-me cair nos teus braços, 

Respiro de prazer, 

De quem nunca viu, 

A leveza de um toque, 

Num turbilhão de sensações, 

Que nos abraçam, 

E pintam a cor do nosso corpo. 

M. 


Salvação

 Olho nos teus olhos,

Procuro uma resposta,

Beijo-te nessa boca,

Sinto-me à deriva,

Lembro-me do teu sorriso,

Vejo a minha vida,

Quero tê-la junto a mim,

Como num oceano,

Que vai e vem,

Assim é o meu coração,

Não me quero perder,

Na tormenta da tempestade,

Apenas agarrar-me a ti,

Como um marinheiro ao leme,

Em direcção à salvação.

M. 

Levo-te.

 Aninho-me junto a ti,

Encosto-me junto ao teu peito,

No palpitar do teu coração,

Encontro a minha paixão,

Levo-a a passear pelas arribas,

Mostro-lhe no horizonte a cor do nosso amor,

Dás-me um beijo,

Abraço-te,

E levo-te até à magia das brumas do mar.

M.

 

 

Sempre

 Sei que nem sempre sou alegria,

Sei que nem sempre sou feliz,

Sei que nem sempre sou divertido,

Sei que nem sempre sou delicado,

Sei quem nem sempre sou amoroso,

Mas sei que te quero para sempre.

M.

Egoísta.

 Enlouqueces o meu ser com o teu olhar,

Vibram todos os músculos em mim,

Um furação que me leva,

Uma Princesa que me beija,

caminho pela minha imaginação,

sinto a leveza do teu ser,

a matreirice do teu sorriso,

invisto com os meus lábios nos teus,

mordo-te,

sufoco-te,

abraço-te,

quero-te só para mim,

com vaidade e orgulho,

nas ondas do meu egoísmo.

M.

 

 

 

 

Rasgos.

 Rasgos de intensidade percorrem o teu corpo,

Descubro em ti uma paixão de viver,

Sinto em ti um prazer de estar,

Quero ser,

Quero dar,

Mostrar que fazemos sentido,

Nas diferenças,

Nas semelhanças,

Na alegria,

Na tristeza,

Como de uma simbiose de forças contrárias,

Unimos as nossas mãos,

Abraçamos o nosso destino,

Viajamos como uns loucos,

Encantamos os nossos corações,

Fazemos amor ao por-do-sol,

Choramos a nossa felicidade,

Queremos viver.

M.

 

Efémera.

 Um novo dia surge no orvalho da manhã,

Acordo no calor do meu sonho,

Viro-me,

O meu Anjo olha por mim,

Olho,

Estarei ainda a sonhar?

Um beijo varre-me os lábios,

Que sensação de felicidade é esta?

Um momento que quero congelar,

Guardar,

Manter,

E mostrar no dia da minha despedida,

Que viver,

Foi bonito e ao lado de um mistério,

Que um dia se revelou na nossa efémera caminhada.

M.

 

Embala-me.

 Que voz é esta que me chama por dentro,

Não sei como parar de não pensar,

Mas a verdade é que não quero,

Neste calor que me assalta e reconforta,

Chamo por ti,

Penso em ti,

Fujo por entre duas conversas,

Para te escrever estas palavras,

De quem quer viver em ti,

Para embalar nos meus braços,

mais delicada flor que nasceu no meu jardim.

M.

 

 

Inventa-me.

 Quero desfilar por esta passadeira,

Com o meu jeito sem jeito,

Quero ser o teu modelo,

Abanar este corpo por entre a multidão,

Molda-me com essas tuas mãos de Princesa,

Abusa nos teus caprichos de mulher,

Pinta-me neste rosto um sorriso eterno,

Volta a inventar-me nos teus sonhos,

Que alimentam a razão da nossa existência.

M.

 

 

Este livro.

 Aberto está o meu livro,

A caneta repousa ao seu lado,

Fecho os olhos,

Procuro a minha inspiração,

Que versos irei verter nestas folhas em branco,

Aguardo o momento,

Pela minha janela devaneio com o meu pensamento,

Sonho contigo,

Que bom é lembrar-me que tu existes,

E sem saber,

Começo a escrever um novo capítulo das nossas vidas.

M.

 

 

Voltar.

 Acordo no desespero de voltar a ver-te,

Pelos meus poros o suor de voltar a abraçar-te,

Uma sede que me invade para voltar a beijar-te,

Um calafrio pela espinha acima para voltar a tocar-te,

Luto contra o tempo para voltar a sorrir contigo!

M.

 

Um pouco mais.

 Na areia deserta de um oásis, uma miragem,

Corro na sua direção,

O calor da areia assalta-me o meu ritmo,

Não vou parar,

Quero ver quem está ao longe,

Corro, falta-me o fôlego,

Estou quase a chegar a ti,

Não te quero perder,

Arrasto-me, agarro-me a cada grão de areia,

Nada me fará parar,

Sinto o teu cheiro, estou perto,

Tombo no meu suor,

Sinto uma brisa sobre o meu rosto,

Nos meus lábios o teu beijo,

Finalmente estamos juntos.

M.

 

 

 

Perfeição.

 Não consigo deixar de fantasiar com o teu sorriso,

Lembrar-me da profundidade do teu olhar,

Da suavidade da tua pele,

Leva-me ao desespero de não estar contigo,

Declaro-me a ti como um poeta à sua musa,

Deixa-me cantar a ti os versos da tua perfeição,

Nos teus encantos quero adormecer,

Descansar o meu desatino no teu mistério.

M.

Mil coisas.

 Mil coisas que quero aprender a dizer,

Mil coisas que quero aprender a fazer,

Mil coisas que quero aprender a ser,

Mil coisas que quero aprender a ter,

Mil coisas que quero aprender a ver,

Mil coisas que quero aprender a viver,

E apenas uma que quero dizer ao teu coração.

M.

 

 

Vive.

 Das trevas solta-se uma centelha,

No horizonte o sangue derramado de uma batalha,

No meu de toda esta devastação,

Surge o mais belo sorriso de um anjo,

Eis o teu caminho ó peregrino,

Abraça o teu destino,

A tua luta será recompensada pelo seu elixir,

Despe os teus preconceitos,

Ama as tuas diferenças,

Dá-lhe o que sempre guardaste de forma egoísta,

Este é o momento de partilhares,

Vive.

M.


Distração.

 Distraio-me nos meus pensamentos,

Disperso a minha imaginação no vento,

Sinto o calor de abraçar-te,

Mergulho,

Procuro-te nas profundezas do meu ser,

Que linda,

Agarro-te com estas mãos,

Delicada,

Com a minha Alma aninho-te junto a mim,

Selvagem,

Arranhas-me num momento de paixão.

M.

 

 

 

Percorro.

 Percorro os teus braços,

E sinto os ramos do teu ser,

Percorro a magia das tuas pernas,

E sinto o sossego de um palpitar,

Percorro o mistério dos teus seios,

E estremeço a minha paixão,

Percorro um pouco mais,

E junto-me a ti num desejo carnal.

M.


Quero viajar.

 Olho pelo infinito da minha janela,

Que agitação é esta que me perturba,

Que cólera me assalta o espírito,

Não quero prejudicar quem me quer,

Não quero perder este momento,

Viajar com a minha Alma e a tua,

Beijar-te esses teus lábios de aveludados,

Escorrer suor no mais belo instante de amor,

Sem receios,

Sem medo,

Apenas porque quero,

Apenas porque queres,

Como dois amantes numa noite de verão.

M.

 

 

Raiva.

 Escrevo com raiva,

Raiva de saber que só quero viver,

Escrevo com angústia,

Angústia de ver-te feliz,

Escrevo com dor,

Dor de querer dar-te mais,

Escrevo com fúria,

Fúria de beijar-te sem fim,

Escrevo com paixão,

Paixão de voltar a sentir-te.

M.

Anda.

 Olha-me,

Vê-me,

Sente-me,

Descobre este mistério,

Deixa-te levar,

Não tenhas medo,

Não te vou magoar,

Quero cicatrizar as tuas feridas,

Encosta a tua cabeça nestes braços,

Acredita que podes ser feliz,

Sonha,

Vive,

Beija-me.

M.

Dança.

 Ensina-me a dançar,

Movimentar este corpo junto ao teu,

Na paixão da tua sensualidade,

Vibrar ao beijar-te esses lábios,

Arrepiar-me ao passar a minha mão pelo teu corpo,

Fechar os olhos,

E amarrar-te ao meu coração.

M.


Aceita-me.

 Aceita-me no teu leito,

Aceita-me na minha loucura,

Aceita-me nas feridas do meu corpo,

Aceita-me nas dores do meu ser,

Aceita-me nas impurezas do meu nascer,

Aceita-me nos momentos de incerteza,

Aceita-me sem receios de errar,

Aceita-me meu Anjo.

M.


Congelar o tempo.

 Quero congelar o tempo,

Escrever até que me falte o ar,

Escolher os reflexos de um momento,

Despir o meu corpo destes traumas,

Abraçar-te numa fusão de átomos,

Que se movem numa melodia,

Dançam e saltam,

Que se amam num beijo selvagem,

E sorriem numa inocência perdida.

 M.


Hoje.

 Hoje é mais um dia,

Amanhã será outro dia,

Vasculho entre as horas,

O tempo de te amar,

Tenho medo de perder,

Uma vontade de ficar,

Construir cada momento,

Num álbum para recordar,

No dia em que formos apenas Almas,

Que sonham e desejam voltar,

A encontrar-se neste caminho,

A que chamamos vida.

M.

 

Tela de uma musa.

 Nesta tela a que chamamos vida,

Vou colorir de azul-pastel um momento,

Como um mestre,

Procuro na minha musa a inspiração do meu traço,

Com a minha mão sinto a sua silhueta perfeita,

Matizo o seu olhar num rosto de sorriso tímido,

Percorro o veludo do teu corpo nu,

Olho pelo atelier, procuro as cerdas do pincel,

Espalho os óleos pelo linho da tela,

Tremem-me as mãos,

Mas como numa poesia,

Fecho os olhos e cego de tanto ver,

Espalho as cores através das curvas perfeitas da minha musa.

M.

 

 

 

 

 

Quero ser.

 Quero ser o louco que te seduz,

Quero ser o louco que te acaricia,

Quero ser o louco que te beija,

Quero ser o louco que te alimenta,

Quero ser o louco que te faz dançar,

Quero ser o louco que te faz suar,

Quero ser o louco da tua loucura.

M.


Sentir-te.

 Que capricho é este de querer amar,

Que loucura é esta de querer beijar,

Que sorriso é este de querer agarrar,

Que corpo é este de querer abraçar,

Que suor é este de querer sentir-te.

M.


Farol.

 Aqui plantado à beira de um penhasco,

Observo,

O vento acaricia-me as rugas de uma vida dura,

Ninguém aparece no horizonte,

Sinto o tempo a correr entre as minhas mãos,

A noite cai,

Na esperança de te encontrar,

Ilumino a escuridão caída ao mar,

Junto à janela,

Percorro o horizonte à tua procura,

Acendo uma vela,

Sinto o aconchego do calor da lareira,

Na porta,

Uma silhueta de um corpo perfeito,

Já estarei no além?

Ou terás tu chegado ao meu lar?

M.

Serei pouco.

 Todas as palavras que escrevo são poucas,

Todas as flores que oferecer são poucas,

Todos os beijos que te der são poucos,

Todos os abraços que dermos são poucos,

Todo o amor que fizermos será pouco,

Porque tu és infinito, e eu sou apenas um suspiro.

M.

 

Livres.

 Livre é aquilo que sinto por ti,

Quero entrar na tua vida,

Como uma criança ao descobrir o doce algodão,

Quero beijar esses lábios de fogo,

Livre quero que sejas,

Na esperança de que o teu desejo seja o meu,

E na loucura sejamos capazes de viver,

A realidade paralela dos nossos sonhos.

M.

Real ou imaginação.

 Algo bonito está a acontecer,

Como numa fábula ancestral,

Estarei eu acordado ou a sonhar,

Que lindo é o que vejo,

O chilrear dos passarinhos,

O som da água ao correr pelo riacho,

Esvoaçam os cabelos ao vento,

Espalhando o seu perfume,

Inalo e fico doido,

Serás real ou imaginação?

M.

 

 

Tempo.

 Roubo tempo ao tempo,

Navego até aos confins do oceano,

Subo à mais alta montanha,

Salto por cima das nuvens,

Corro para ti,

Para viver esta paixão proibida.

M.

Sem fim.

Um dia,

Uma hora,

Um minuto,

Um segundo,

Não olhar para ti é uma eternidade de tempo perdido,

Afasto os pensamentos,

Não consigo,

É demasiado forte,

Então escrevo para libertar o meu desejo,

De um dia,

Beijar-te sem fim.

M.

Palavras para ti.

 Deixa-me me escrever estas palavras,

São a expressão da minha Alma,

Transmitem o que o meu coração sente,

Pensamentos sem sentido e desconcertantes,

Magia que quero fazer contigo,

No por-do-sol sobre a areia da mais longínqua praia,

Numa aventura escrita nos nossos sonhos.

M.

Que seca.

 Que seca é esta reunião,

Vá-lhe Deus para tanta apatia,

Enquanto oiço esta conversa,

Escrevo mais estas palavras,

Como se um espaço precisasse de preencher.

M.

Serei eu.

 Serei eu a força que te segura na tormenta de uma tempestade?

Terei eu a Alma que procuras para ser feliz?

Poderá o meu coração ser suficiente para me amares?

Quero que este momento seja eterno,

Chegar a casa e cheirar o teu cabelo,

Discutir contigo os alimentos da nossa refeição,

Dançar com a tua sensualidade numa transmutação de energia,

Deita-me e acreditar que estás ao meu lado.

M.

Melancolia.

 A melancolia do meu tempo polui a minha vontade,

Não quero ser um parasita, absurdo e ridículo,

Ferem-me os traumas deste invólucro a que chamamos corpo,

Enrolo mais uma mortalha para esquecer,

Deito-me na encosta de um belo jardim,

Cheiro o vento do perfume que dele emana,

Como a sua leveza me transportasse para o além,

Ao encontro daquela me espera no seu leito.

M.

 

 


O teu sorriso.

 Em ti deposito o meu coração,

Feito de matéria imortal e eterna,

Um refúgio dos sentidos celestes,

Que se cruzam no movimento da nossa valsa,

De quem nada quer,

Para além do teu sorriso incontido.

M.


Selvagem.

 Olho nos teus olhos à procura da tua melodia,

Nas minhas mãos a vontade de cultivar,

Num jardim onde serás a Rainha do meu paladar,

Borrifo um pouco mais o veludo das folhas,

Na esperança de que não me abandones,

Minha orquídea selvagem,

Agarra este desejo,

E deixa o vento tocar a tua essência.

M.

Deixa-me chorar.

 Sinto o fresco do luar,

Ruídos do tempo vestem a noite,

No bater das asas,

Um movimento oscilante,

Rompe o céu a luz de uma estrela,

Ergo-me sobre o muro,

Com as minhas mãos tento alcançá-la,

Para com ela chorar de alegria.

M.


Que palavras te direi.

 Que luz é esta que invade as mais profundas cavernas do meu ser,

Que mistério é este que se revela ao meu querer,

Que força é esta que me move por entre as sombras de saber,

Que sentimento é este que se espalha ao te ver,

Que palavras te mais conseguirei dizer.

M.

Abrigo.

 No mel dos teus olhos,

Procuro uma resposta,

Na luz do teu sorriso,

Procuro um sinal,

No veludo dos teus lábios,

Procuro o teu beijo,

No mar do teu encanto,

Procuro o teu abrigo.

M.


Anunciação.

 Encontro nestas palavras a minha salvação,

De quem escreve sem saber,

Como um louco que quer voar,

No esquecimento ficarei,

Ao jorrar o meu sangue na noite do meu destino,

Estarei eu a anunciar o meu fim?

Ou a renascer das cinzas queimadas?

M.

Descobre.

 Olha o céu e descobre,

Que lindo é o movimento dos astros,

Na melodia da sua música,

Um sonho que grita de prazer,

Agarra aquela estrela,

E brilharás na eternidade.

M.

 

Utopia.

 Como posso contar o que não consigo,

Não sei o que digo,

Faltam-me as palavras para te beijar,

Ignoro a dor da rejeição,

Pois sei que dos fracos não reza a história,

Que na imperfeição do meu corpo,

Nasce uma rosa selvagem,

Na utopia de ser amada.

M.

 

Mais um Manel.

 Desço as escadas à procura de ser feliz,

Sigo a estrada por entre a chama dos fachos incandescentes,

É noite,

Meto as mãos aos bolsos,

Acendo um cigarro e percorro as curvas do seu fumo,

Na brisa um perfume que me embriaga os sentidos,

Corro para a taberna do Manel,

Dá-me um dos fortes, digo eu!

O que se passa contigo? pergunta o Manel,

A minha Alma ousou falar,

E ao longe vi um Anjo,

Que conversa é essa? Pergunta o Manel,

Talvez tenha sido um sonho,

Uma ilusão contada ao meu coração,

Dá-me mais um Manel,

Que cego estou por esta paixão.

M.

 

Tesouro.

 Chegaste aonde nada existia,

Da tua solidão agarraste a minha mão,

Das profundezas do oceano encontrei um tesouro,

Mergulho num fôlego sem fim,

Por entre correntes e torrentes,

Junto a ti a minha imaginação,

Como posso merecer tamanha beleza?

M.

 

 

 

Rogo a ti.

 Que loucura é esta meu Deus,

Louvo a Ti Senhor,

Dono do meu destino e fé,

Vem a mim e dá-me a tua luz,

Quero iluminar o meu caminho,

Para das trevas renascer,

E de mim ser homem.

M.


Palavras do coração.

 Escrevo-te estas palavras do meu coração,

Abro o livro para leres a minha Alma,

Nestas folhas de nada,

Quero escrever uma história,

Feita em prosa ou poesia,

Derramo o sangue da minha vida,

Por entre as linhas do meu desejo,

Mais um capítulo que se escreve,

Na esperança de ser minha e tua.

M.


Leva-me.

 Leva-me contigo,

A descobrir a sede de te beijar,

Leva-me contigo,

A descobrir o sal da tua pele,

Leva-me contigo,

A descobrir o calor do teu coração,

Leva-me contigo,

A descobrir o mistério do teu ser.

M.


Sentado.

 Sento-me à tua espera,

A noite é fria e cerrada,

Peço mais um copo,

Ao fundo sinto um sábio,

Penso mais um pouco,

Peço mais um copo,

Deambulo até ele,

Mas ao chegar,

Apenas o ar,

Peço mais um copo,

No pensamento um lugar,

Que se ilumina ao chegares.

M.

 

Anjo meu.

 Do céu surge um Anjo,

Serás tu a visão dos meus sonhos?

Luto ferozmente os meus demónios,

Para puro chegar a ti,

Na esperança de sentir-te,

De quem guarda o meu coração,

Serás tu a guerreira do meu Amor?

M.

Dureza de não saber.

 Deixa-me voar por entre as chamas do teu cabelo,

No cetim da tua pele a rugosidade do meu ser,

Na dureza de não saber,

Se o teu luar me podes oferecer,

Ó tu, Valquíria do meu saber,

Dai-me a luz do teu feitiço,

E leva-me para o mundo dos teus encantos.

M.

União.

 Num mundo só teu e meu,

Fugimos como crianças numa praia deserta,

Saltamos,

Rimos,

Rebolamos na areia molhada,

Tocamos os nossos lábios cansados,

No sal do nosso beijo,

Enrolamo-nos na espuma das ondas,

Choramos,

Escutamos,

O sonho de um momento,

A união das nossas Almas.

M.

 

 

 

 

Agarra-me a ti.

 Agarra-me a ti,

Na eternidade da nossa velhice,

Agarra-me a ti,

Na descoberta de um momento,

Agarra-me a ti,

Na batalha das batalhas,

Agarra-me a ti,

Na vertigem de cair,

Agarra-me a ti,

Na história não contada,

Agarra-me a ti.

M.

Palpitações.

 Encostas o teu rosto no meu peito,

Sentes o palpitar do meu coração,

Nas nossas mãos uma vida de gratidão,

Olhamos no horizonte,

O beijo do sol à lua,

Na ternura de uma caricia,

Lembramos o ardor da nossa paixão,

Nascida das cinzas do inverno.

M.

 

Loucura.

 Na vontade de ver,

A loucura do meu ser,

Na leveza do teu sorriso,

A loucura de abraçar,

No brilho dos teus olhos,

A loucura de me perder,

No mel dos teus lábios,

A loucura de beijar-te.

 M.

 

 

Na luz da escuridão.

 Que escuro é o vestido desta noite,

Faltam-me as palavras que cantem aos teus sentidos,

Lanço para o mar o tempo esquecido,

Encosto o meu rosto ao teu,

Para sentir a energia das tuas estrelas,

Mergulho no teu olhar,

Um oceano nascido para brilhar,

Toco os teus lábios,

Na intensidade de uma paixão,

Que aperta o coração.

M.

 

 

 

Formigueiro.

Pela minha pele escorre um suor frio,

Que formigueiro é este que me assalta a Alma,

Com a minha mão agarro este vendaval,

Como um louco que dança à chuva,

Escondo-me à procura do meu destino,

No exotismo de uma imaginação cruel,

De um mortal que quer estar na tua paz,

Como um silêncio sem som,

Que escuta o bater deste coração,

Numa luz que pode atormentar,

A leveza do teu sorriso.

M.


Sem sentido.

 O meu corpo vadio deambula pelo regato abaixo,

Na subtileza das folhas caídas de tanto lutar,

Numa breve passagem pelo tempo,

Encontro-me outra vez, e outra vez, e outra vez,

Num fugaz respirar sinto o sal da tua vida,

Sento-me a ouvir a lua de cinzel,

Nas minhas mãos um diamante por polir,

Na beleza hermética que molda o teu corpo,

Encerrado num sentimento primitivo,

Transmuto a energia do meu físico para o espírito do sol.

M.

 

 

 

 

 

 

Filho de um Deus menor.

 Objeto de matéria oca,

Nascido de um amor proibido,

Uma metáfora de uma obra inacabada,

Símbolo da ironia humana,

Uma filosofia de ciclos plásticos,

A poesia das palavras sentidas,

O poder da meditação sobre o movimento,

Quadro que pinta luz e sombras,

Na cor de mel dos teus olhos,

Num mundo encerrado ao mito,

Reflito sobre mim mesmo,

Princípio da ironia das telas delirantes,

Ainda e sempre num Amor que não morre.

M.

 

 

 

 

Resisto.

 Que brilho é este que me ofusca,

Dos confins do universo uma força se levanta,

Que fruto é este que saboreio nos teus lábios?

Rompe por entre as silvas do meu atrofio a coragem de acreditar,

Num vazio que se completa,

Numa ousadia de encontrar em ti uma realidade perdida,

Terei a luz para iluminar o teu caminho?

No fio da mais acutilante espada a intensidade de uma orquídea selvagem,

Resisto sem saber às investidas dos meus medos,

Atiro-me pelo abismo à procura do Amor Eterno.

M.

 

 

 

Deixa-me ser.

 Estranhos num mundo sem sentido,

Esqueço de respirar o ar que tu respiras,

Entre cigarros a tempestade de ver-te partir,

Pedaços de vida que escrevemos ao caminhar descalços,

Guarda-me no teu coração,

Deixa-me ser o nobre cavaleiro,

que te seduz e protege da tormenta,

na imensidão do teu olhar,

procuro a resposta de um pardacento vadio,

de um devaneio que parece impossível de alcançar,

para uma criatura que fica ofuscado pelo brilho de um anjo.

M.

 

 

 

Melodia.

 Na melodia desafinada do sol que beija a água,

Por entre os grãos de areia que escorrem da minha mão,

Um desejo,

Tecida de luz as páginas de uma história por escrever,

Avançamos pelas lágrimas refletidas da nossa aventura,

Um abraço,

No nosso sonho o tempo adormece a sua angústia,

Alcançamos o elixir poético dos Deuses do olimpo,

Um beijo,

Fugimos no silêncio das nossas palavras,

Nas memórias encantadas que escrevemos ao luar da nossa paixão.

M.

 

Prende-me a ti.

 Oiço no tempo o murmurar de um sonho,

procuro na tua luz o desejo de te encontrar,

sussurro-te ao ouvido o som da tua beleza,

perco-me e encontro-me no brilho do teu olhar,

o teu silêncio atormenta-me, arrasta-me, prende-me a ti,

na corrente do teu olhar, sinto,

na brisa do teu perfume, deixo-me seduzir,

no querer tocar-te, atormentado fico,

no teu beijo, descanso o meu coração.

M.

Seremos.

 No azul-celeste procuro a minha estrela,

Por entre as muralhas o meu caminho,

Num desassossego de quem descobre um tesouro do coração,

Desperta em mim a força de voltar a viver,

Perco-me na profundidade do teu mel olhar,

Corremos na direção do mar,

Num mergulho de esperança molhamos os nossos corpos,

Na simbiose do nosso silêncio,

Ouvimos o bater das ondas aos nossos pés,

Podemos ser felizes,

Numa fábula derramada nos sonhos da nossa Alma.

M.

 

 

 

 

 

Um fôlego.

 O Sol ilumina o teu rosto por entre a janela semicerrada,

A primavera chegou,

No sabor doce dos teus lábios um beijo que rouba o fôlego,

A voz da brisa avança sobre o mel dos teus cabelos,

Partes em direção ao prado de rosas,

Num ápice um perfume que invade esse corpo perfeito,

Um sorriso que se ilumina para além da minha sombra,

O vento boceja,

Ao alto, desenho entre as nuvens o sonho de ser feliz,

No meu corpo as cicatrizes de uma luta,

Escondo entre a chuva que cai,

As lágrimas de um momento no tempo,

No horizonte o crepúsculo forja a noite,

Voltas a descer o trilho do bosque encantado,

Murmuras o som do silêncio,

Adormeces,

As folhas do castanheiro fogem entre as minhas feridas,

Terei sonhado contigo?

O céu dourado aprisiona-me a minha ilusão,

Como posso não cair?

No sorriso do oceano a vontade de voltar a ser,

Fujo do meu medo,

Procuro a tua mão na memória dos nossos sonhos,

Sufoco na noite fria,

Na espera do ser renascido.

M.

 

 

 

 

Na eternidade.

 Na dissonância do meu equilíbrio,

Luto entre as trevas do ego e a luz da consciência,

Numa vertigem sem fim,

Agarro a tua mão,

Na tua força o meu coração,

Numa explosão de emoção,

Procuro o sinal,

Avançando sem medo,

Vibramos na energia das nossas Almas,

Purificamos os nossos pecados,

Abraçamos o destino,

num beijo eterno.

M.

 

 

Liberta-me.

 Ó sorte da minha fortuna,

Liberta-me,

Ó sol que beijas o meu coração,

Liberta-me,

Ó vento que sussurras as asas do desejo,

Liberta-me,

Ó água que te moves no meu corpo frio,

Liberta-me,

Ó terra dá-me a tua coragem,

Liberta-me,

Ó fogo que incendias a minha paixão,

Liberta-me.

 M.

 

Transcendência.

 Uma sede de viver para sempre,

Um distúrbio de uma distância até ti,

O feitiço de ver-te sorrir,

Quero sair desta angústia de acreditar,

Choro,

Neste corpo cicatrizado e doentio,

Respiro,

Num fôlego de egoísmo,

Cheiro,

Os fios de um cabelo que não é meu,

Rendo-me,

De joelhos aos teus pés,

Na esperança da nossa transcendência imortal.

M.

 

 

Quimera de vida.

 No desespero de te encontrar,

Perco-me nas amarras da minha insanidade,

No espelho um ser disforme e sem sentido,

Num sonho de verão,

Imagino a ternura do teu carinho,

Numa paixão de crianças ao pôr do sol,

Abraçamos um destino,

Acordo no leito da tua inocência,

Nesta quimera que chamamos vida.

M.

Asas de um sonho.

Vagueio entre a amargura das lágrimas do nosso oceano,

Sinto a fúria da tua crispante melodia,

Desamparado suplico a ti,

Na tua face as estrelas do nosso destino,

A descoberta desbotada de uma loucura sem sentido,

Choro no teu ombro a minha alegria,

No exotismo do teu corpo a aridez da minha natureza,

Faremos da esperança uma enxurrada de átomos,

Que se interligam na ascensão dos nossos seres,

Rumando à deriva nas asas de um sonho.

M.

Adormecer.

Um sentimento no horizonte,

Luz que reflecte o teu olhar,

Sinto-me próximo a ti,

Quero tocar-te,

Sentir-te,

Que prazer olhar a tua beleza,

delicado é o teu perfume,

toco-te e acredito,

saboreio o teu beijo,

junto-me a ti, e o teu palpitar me ensurdece,

Deixa-me adormecer no teu sonho.

M.

Comunhão.

Um momento de tormenta,

Um momento de solidão,

Fico em comunhão,

Ouvindo o teu silêncio na palma da minha mão,

Por entre as nuvens,

Sussurras no vento,

Abrando o meu ritmo,

Iluminas o meu mundo,

Uma fuga rápida,

Uma espera solitária,

Um momento de união,

Uma suavidade única,

Um segundo,

Um momento,

Um lugar,

Um sonho,

Um instante de vida,

Um horizonte reflectido,

O teu corpo no seu espelho,

Na cor dos teus olhos mergulho,

Seduzes-me com o teu perfume,

Falta-me o ar, paralisado fico,

Na pele suada de teu corpo,

Uma brisa adormece,

Apenas e só,

A cor do meu desejo.

M.

Na magia da ilusão.

Faço-me ao caminho,

Sinto a magia do teu perfume no ar,

Inalo com mais vigor e entusiasmo,

As veias jorram de emoção,

No encalce no meu andar a névoa ofusca,

Perco o teu trilho,

numa latente palpitação que me assalta o pensamento,

volto-me para trás,

mas nada vejo, tudo escuro está,

viro-me então para ti,

estarás em mim, ou serás ilusão?

M. 

Floresta encantada.

Adormeço na manta do teu verde prado,

Sonho com o perfume da tua alma selvagem,

Na carícia do raio de sol que me beija,

Desperto em mim o calor de abraçar-te,

Por entre o assobio macio das folhas,

Sinto a paixão dos mundos perdidos,

Cavalgo à procura da minha alma,

Escondida entre as rosas da tua essência,

A natureza da minha bravura,

Numa fábula encantada procuramos o nosso caminho,

Seremos o enredo de uma nova história?

Teremos luz para enfrentar a sombra dos nossos pesadelos?

Quero acreditar,

Quero saber,

Na ternura dos teus braços,

Na força do meu ser,

Na fogueira de uma paixão sem fim.

M.

 

 

 

 

 

 

A harmonia do meu desconforto.

No horizonte o arco-íris de um mundo novo,

Respiro profundamente na sede de lá chegar,

Sinto o perfume desta maresia esquecida,

Na solidão dos meus pensamentos,

Quero avançar sobre o desfiladeiro do desconhecido,

Sentir o sangue a correr nas veias,

Soltar as amarras deste barco que quer velejar,

Na procura de uma liberdade desconfortante,

Atrás da inocência das nossas almas,

Olho o céu,

No azul-celeste do universo observo,

Procuro no espaço sideral a harmonia dos nossos seres.

M.

 

Letras

​Nem escrever agora sei, Letras que me deixem sonhar, Um momento de alegria contigo, Falar de sentimentos ao luar, E deitar-me contigo na en...