Até ao infinito


 De um passado que foi vazio e sem sabor,

Atrás de um canto me sento para esquecer,

Amargura de sensações não vividas,

Escrevo sem saber num livro de páginas em branco,

Queria tanto ter sido mais alguém,

Passar pelos caminhos onde outros souberam trilhar,

E que a minha ausência se transformou num pesadelo,

Azul marinho que pinta o meu repasto,

Na esperança de voltar a pensar que irei viver,

Um dia de cada vez,

No encalce de uma aventura perdida para sempre,

E no encanto de nada encontrar,

Porque os meus sonhos lá ficaram,

Acordo a pensar que irei ser feliz um dia,

Porque tu viste em mim aquilo que eu não vi,

Terei uma meia vida para voltar a tentar,

E acertar que agora será até ao infinito.

M.


lady f*

Sou alguém que escreve para compreender o que sente e para dar forma ao que, de outra maneira, ficaria preso no caos dos pensamentos. No Stupid Brain, a poesia nasce como um diálogo íntimo entre a mente e o coração, entre aquilo que se tenta esconder e aquilo que insiste em vir à superfície. Os meus textos percorrem territórios de amor, perda, desejo, solidão e esperança, explorando as fragilidades humanas com uma linguagem sensível, por vezes crua, por vezes delicada, mas sempre honesta.

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