Vagueio entre sombras antigas do pensar,
Desperto órfão do eco do que fui,
Carrego no peito um passado sem lugar,
E procuro no silêncio um refúgio que me habite,
Ergo os olhos à vastidão que não responde,
Como quem implora paz ao próprio abismo,
Na ânsia frágil de voltar a sorrir-te,
Mesmo que o sorriso doa como memória,
Subo ao cume onde o mundo parece eterno,
Majestoso na sua indiferença azul,
E ali, diante do infinito que me excede,
Ofereço-te o amor que sobrevive em mim.
M.

Sem comentários:
Enviar um comentário