chama

Reviro de fora para dentro um sentimento,

Procuro uma chama para acender o fogo,

Que me leve ao centro desta fogueira,

A queimar o doce beijo que te dou,

Na boca que espera pelo momento.

M.

deliciar

 Quero provar mais deste sabor que é o Amor,

Devorar o tempo e sentir o teu coração,

Carregar aos ombros o sonho de uma vida,

Caminhar descalço e sentir a bruma do mar,

E num fôlego de ar vertido escolher uma pausa,

Para lá encontrar uma merenda para deliciar.

M.

 

Serás

 Serás tu a lenda que a história escreveu,

Serás a noite que trouxe a luz do dia,

Serás a vela que acende o fogo,

Serás o passo da dança que me falta,

Serás a semente que faz nascer,

Serás o beijo que trouxe a vida.

M.

navio

Serei um capaz de voltar a dançar,

Voar até ao fim do mundo,

Descobrir a esperança que perdi,

Saltar do alto da colina,

Deixar as feridas,

Levantar o mastro do navio,

E navegar até onde o mar deixar.

M.

nada sei

Posso eu pensar que nada sei,

Serei eu um louco que descobre,

Um caminho sem destino,

Uma loucura sem sentido,

Ou serei apenas um estranho,

Passeando junto à margem da água,

E numa noite para sempre perder,

O juízo que ainda me resta.

M.

marujo

Devagar, devagarinho caí a chuva de miudinho,

Ao longe uma pintura outrora encantada,

Ensopado e com frio vai o marujo ao mar,

Numa miragem de um desafio luta pela sua vida,

Rema sem desatino ao longo do seu caminho,

Leve, levezinho fica junto à margem à espera.

M.

escuridão

Não tenho a chave do reino dos céus,

Vejo a minha espada atravessar a ferida,

Numa batalha que é travada na escuridão,

À procura da luz que mostre o caminho,

Para a salvação da Alma que se perdeu.

M.

deriva

 Pensamentos fugazes que espreitam a oportunidade,

Loucura que invade o movimento sem passado,

Esteira fechada que não leva comigo este desafio,

Juízo perdido por não encontrar um fio condutor,

Que me leve ao leme de um barco à deriva.

M.

tornado

Lá vai a minha Alma perdida no vento,

Esquecida no momento do seu abandono,

Um corpo que despede atrás de um tornado,

Afinal são apenas lágrimas vertidas,

Na torrente de um dia de chuva,

Enquanto a donzela procura o destino.

M.

 

calor

No traço de uma linha despida no deserto,

Vens ao caminho percorrer uma vida,

Na aventura de gostar de uma rosa silvestre,

Ao molhar o corpo suado de tanto andar,

Para saber que ao fundo a luz é lunar,

E o calor um momento que queres sentir.

M.

sorte

 Tenho esperança que a noite seja dia,

Quero acreditar que a luz vai iluminar,

Trago comigo o amuleto de uma sorte,

Venho de longe sem conhecer o percurso,

Levo aqui uma moeda para deixar à janela,

Caminho sem parar na força de acreditar.

M.

acordar

 Quero saber se ainda sou capaz de escrever,

Linhas tortas que dizem poemas ao ouvido,

Sonetos que cantam a melodia dos anjos,

Frases que marcam uma forma de estar,

Palavras que nos tocam no nosso ser,

Fantasias cantadas ao vento do destino,

Nas manhãs que o Sol atravessa ao acordar.

M.

atropela

Sou os restos de um rio que transbordou na margem,

Um sopro perdido de um vento feroz,

Acabo sentado ao canto de um bar a esquecer o dia,

Navego sem remos rumo ao destino encantado,

E numa mensagem escrita sem palavras,

Procuro encontrar um caminho a percorrer,

Neste marasmo mental que me atropela,

E me faz esquecer que nem tudo é perdido,

Num dia que a noite vestiu de azul,

E a vontade da ilusão quis descobrir.

M.

desordem

Caramba! Que azia sentida no vento da desordem,

Porra! Quero libertar os pensamentos e fugir,

Chiça! Deixem-me este corpo varrido ao relento,

Fogo! Não quero mais o desconforto do apego,

Bolas! Vontade desconcertante que não acaba.

M.

perdido no tempo

Estou a omitir a pausa da minha Alma,

Quero levar comigo as pétalas caídas,

Amanhã é um dia que foi escrito atrás,

Hoje fui um instante perdido no tempo,

Vestido de calma azul procuro o sentimento,

Num estado sem sentido derramo sangue,

Por não saber que alimento irei dar a ti,

Se nada for deste mundo,

Ou se a minha vida for apenas uma ilusão.

M.

 

pedras da calçada

Riscado do plano superior para ser feliz,

Não sei que caminho devo seguir,

Esperança que perdi por atrofiar o sentimento,

Mordaz angústia enredada na ansiedade,

Por destinos que não consigo controlar,

Numa vontade de me perder para sempre,

E nunca encontrar as pedras da calçada,

Que me levam até ao lugar onde está a liberdade,

De voltar a acreditar que posso ser.

M.

sotaque

 Uma sombra vestida de noite,

Olhar pela janela e ver o horizonte,

Verter lágrimas sem saber porque,

Sentir um sentimento sem explicação,

Acreditar na esperança da salvação,

De um redentor que surge sem sotaque.

M.

avenida

Imagino um dia feito de celestes estrelas,

Onde a minha mão toca o céu,

Para alcançar o teu desejo perdido,

E tocar a vontade de um sentimento,

Encontrado na esquina de uma avenida,

Para lá perder o meu destino não traçado.

M.

âmago

 Como o dia e a noite,

No horizonte a terra e mar se beijam,

Descoberta guiada ao longo dos ponteiros de um relógio,

Uma experiência que aproxima o âmago,

De uma viagem respirada junto ao pescoço,

Consumada no corpo agora despido.

M.

 

 

emergir

 

Como neste livro que abro para ler o seu epílogo,

Distraído nas palavras que cruzam as rimas,

Bebo mais um café devagar até ao último suspiro,

Quero fazer coisas que a saudade não deixa,

Ir até junto do tempo e pedir um momento,

Para em repouso possamos emergir novamente,

E num soneto distraído transcender o corpo.

M.

 

 

passageiro moribundo

Quando as estrelas existem no oceano profundo,

Sentir na mão um frio que não se sente ao tocar,

Quando a corrente nos leva até ao fim de um lago,

Mostrar que ainda não fomos até ao fundo,

Quando o fogo aquece uma fogueira incendiada,

Deixa derreter as mágoas de um passageiro moribundo,

Quando a passagem é feita de tortura de um refugo,

Fugir sem destino para um dia descobrir a loucura.

M.

 

 

foi longe

 Sinto um vazio que não se preenche ao suar,

Deixo-me perder em pensamentos sem sentido,

Fugo em direção à cidade que me acolhe devagar,

Rasgo mais uma poesia de quem foi longe,

Mas não se encontrou na rua da alegria,

E esqueceu que tudo é real ou irreal na noite,

De uma esperança que se perdeu na memória.

M.

nunca serei

 Libertem as amarras de um passageiro perdido,

Tudo o que é esperado sabe a pouco,

Deixem as respostas encontrarem um caminho,

Saber que um dia serei um louco pela rua,

Solitário como um pensamento que se descobre,

Numa tentativa de ser algo que nunca serei.

M.

acordado

 Não são demónios que me vão acatar,

Levo comigo a chama de quem procura,

Uma senda por onde irei encontrar,

A loucura de um beijo que desperta,

O ser que em mim ficou fechado,

E esperou para ser um dia acordado.

M.

trono

 Deixa-me sonhar no teu sonho,

Volta a sentir em mim um destino,

Preenchido no veludo de um sentimento,

Destemido sopro que se desprende de ti,

Ao encontrar na serenata uma melodia,

Lavrada nas águas de abril,

Sempre a correr a mil,

Para encontrar ao fundo uma moradia,

Onde a canção cantada foi um movimento,

Encontrado dentro de um ninho,

Ao erguer-se perante o trono.

M.

corpo deleitado

Repouso o meu sorriso no teu corpo deleitado,

Respiro por entre as estrelas cadentes,

À espera de ver o dia e noite a cruzarem o oceano,

Num momento em que a terra e o céu se beijam,

Distraídos por saberem que vão até ao fim,

Para encontrar a sua saudade ao tomar café,

Na esquina onde a janela abre para servir.

M.

 

desejo de voar

 Uma esperança perdida na noite despida,

Encontro em ti o meu desejo de voar,

Sonho que foi feito ao luar de um farol,

Iluminado no dia em que a sombra caiu,

No mar onde as brumas atravessam o ser,

Para querer construir um caminho.

M.

espelho quebrado

A imagem de mim num espelho quebrado,

Dias de movimentos celestes ao luar,

Abraço sentido em que adormeço o meu rosto,

Viagem de uma pequena flor à beira-mar,

Na ondulante maresia encontrada na encosta,

À espera de ver o teu sorriso a despertar.

M.

 

 

Cada vez

Cada vez que no sono de uma noite escrevo um sonho,

Cada vez que a memória é traiçoeira na escuridão,

Cada vez que a despedida é um eclipse de tempo,

Cada vez que acredito no entardecer junto à lareira,

Cada vez que o mar é feito de água derramada,

Cada vez que o amor vem de dentro de mim,

Cada vez que o teu beijo me preenche o coração,

Cada vez que vou até ao fim deste destino.

M.

respirado

 Um abraço que dou ao vento do Sul,

Uma viagem ao longo de uma noite,

Uma tela imaginada ao ver-te sorrir,

O pensamento que caminha depressa,

Para encontrar os teus cabelos ondulantes,

E num suave beijo acreditar que vais acreditar,

Que um sonho de prata foi respirado.

M.

pomar

Num estreito carreiro que leva o pomar,

Valer a pena encontrar o céu no teu corpo,

Desenhar prosas em teu nome,

Olhar pelo crepúsculo e encontrar o Amor,

Vibrar ao som de sinos e ganhar uma Alma,

Escutar em silêncio aquilo que não se ouve.

M.

raio de sol

 Um dia chuvoso à procura de um raio de sol,

Agarrado ao teu calor para sentir o perfume,

Com a vontade de abraçar a tua magia,

A correr por entre as veias desnudadas,

Procuro um beijo melado para descobrir,

A sorte de ver o teu sorriso no espelho.

M.

deserto vazio

 Decreto um receio num deserto vazio,

Não dou trégua à dor de não saber,

Prendo nos meus dedos uma esperança,

Sem abrigo de um raro momento,

Encontro no mel dos teus lábios,

Um sabor que me deixa alucinado,

Sem receber do céu a resposta sagrada,

Vejo em ti o meu indelével ser.

M.

floresta

 Passeia comigo por entre a floresta,

Acordar para um sonho doce,

Viver no limbo de um acorde tocado,

Saber agarrar a fome de querer,

E no silêncio da noite beijar o teu corpo.

M.

sonho aberto

 Sou rosto que procura uma lágrima,

Na lenda de um passado vivido,

Deixo-me levar pela luz até à lua,

Para encontrar em ti um desejo,

E acordo num sonho aberto,

Ao chegar ao lado de um sorriso.

M.

cego

 Cego de nada ver,

No vento escrevo,

No ouvido um som,

Na mão uma esperança,

No coração uma paixão.

M.

verdejante

 Por uma estrada estendida num tapete verdejante,

Percorrer sem fim um lugar de magia,

Sentir na pele o perfume de quem escolhe,

Ser peregrino num lago que espera,

Na vontade de espreitar pela neblina,

Um sol que ilumina um dia sem pensar.

M.

bravas

 Sentado junto a uma cascata azul,

Descobrir um jasmim que perfuma,

Um mar de brumas bravas,

Numa chuva que não quer parar,

Deixo o meu corpo ao sal,

Para sentir o teu beijo na boca.

M.

encetado

 E agora o que é feito deste desejo encetado,

Enjeitado numa serenata na balada de uma noite,

Que percorre um corpo despido ao longo do mar,

E renasce num fogo embutido do chão findado,

Ao sabor de uma leve brisa que desprende,

O cabelo para mostrar ao vento o seu perfume.

M.

sabedoria

 Minha estrela que estás a brilhar lá no alto,

Desce até ao meu leito e encanta o meu sorriso,

Lança-me para lá da colina e canta uma melodia,

Enfeitiça este momento e vamos até ao destino,

Encontrado no caminho de um dia,

Deixado na penumbra de uma sombra queimada,

E no pedestre passeio encontrar a doce sabedoria.

M.

estrela de belém

Tantas histórias que podiam ser escritas aqui,

Memórias de uma Alma cansada ao luar,

Coração que é frágil quando está perdido,

Montanha de emoções que falam por si,

Num riso que é esquecido numa manhã de agosto,

Nesta solidão que sinto ao cair no chão,

Sou faminto de saber e procuro o teu rosto,

Na pradaria que me leva o sentimento ardente,

Por saber que em ti encontro um momento,

Sem sustento ou amargura do teu doce beijo,

Encontro na tua fragância um sabor de ti,

E do divino espero que a estrela de belém.

M.

brumas

 Um pensamento madrugador no véu de uma chuva prateada,

Deixo-me levar pela onda que banha esta esperança,

De um dia sorrir para o céu uma vontade infinita,

E voltar a acreditar que as estrelas iluminam a noite,

Num apaixonado beijo que preenche um corpo lavado,

Para que um segredo contado seja esquecido nas brumas.

M.

 

 

prateada

 Sou um aprendiz que pouco sabe escrever,

Levo até ti palavras escritas no véu sagrado,

Faço uma vénia perante o pouco que sei,

Encontro um pedinte que me leva as lágrimas,

Num dia em que noite foi prateada,

E o Amor foi feito para acontecer.

M.

bolsos vazios

 Nem sempre sei o que dizer ao vento,

Corro como um louco pelas ruas de bolsos vazios,

Olho para ti e encontro um sorriso,

Descobrir a esperança que alguma vez foi alcançada,

Perco-me entre pensamentos em momento de humor,

Sem compreender os azeites desta rota,

Que me leva a lugares onde a magia não existe.

M.

 

Um dia quero

 Um dia quero saber se irei ser,

Um dia quero perceber se posso ter,

Um dia quero entender o que sinto,

Um dia quero descobrir um caminho,

Um dia quero ver para além disto,

Um dia quero atingir um lugar mais alto,

Um dia quero compreender porque sou assim.

M.

lembrança

 Pela mão que te dou quero seguir,

Um caminho que foi trilhado na vida,

Agarrar uma nuvem e levar até ti,

Sempre em movimento para passar,

Dentro da esperança que vai recomeçar,

Atiro para o ar o perfume nesta lembrança.

M.

entaladas

Não sou poeta ou amante das palavras,

Escrevo por linhas onde a escrita é vã,

Subo a parada sem saber se é água,

Lanço os dados e espero que seja sorte,

Deixo voar um pássaro pela janela fora,

Numa encruzilhada de luzes entaladas.

M.

inacabado

Limite de um traço que se estende pela poesia,

Em palavras não escritas num livro aberto,

Descreve um momento que a planície levou,

Para lá do horizonte onde alguém uma vez viu,

Uma Cinderela a piscar o olho às estrelas,

Encoberto pela noite cerrada ao luar,

Mas que deixou uma lágrima ao acordar,

Para lá encontrar um desejo inacabado.

M.

Letras

​Nem escrever agora sei, Letras que me deixem sonhar, Um momento de alegria contigo, Falar de sentimentos ao luar, E deitar-me contigo na en...