cura.

 Só agora desci ao lugar onde as Almas são puras,

Levo comigo uma saudade de saber que és a minha ternura,

Sinto no ar o cheiro a rosmaninho que lava a minha frescura,

No paladar de um beijo de mel descubro as suas texturas,

E no ritmo desta balada a melodia da minha cura.

M.

Ali.

 Ali ao fundo, ali ao virar da esquina a porta para um mundo,

Ali como um perfume, ali onde nos sentamos à espera de ver,

Ali assim sem medo, ali na leveza de um vento do Norte,

Ali onde me encontras, ali para sempre ali, no lugar do meu coração.

M.

 

eterno.

 São visões que nascem daquele momento em que acreditamos,

Faço este caminho sozinho à espera de encontrar a esperança perdida,

E naquela colina onde aponto para sol que ilumina o silêncio que desfrutamos,

Agarro na minha mão os limites de uma viagem pela avenida,

Será assim a minha vontade de seguir em frente até descobrir o dia,

Demónios que se vão destruir na luz daquela que me encontrou com ousadia,

Para em mim viver uma rebeldia acordada ao nascer do infinito fogo,

Que um dia foi encontrado na dialética de quem não quer um monólogo,

E assim acreditar no laço eterno.

M.

 

despertar.

 No silêncio da minha alma que vagueia pelo éter da vida,

Uma luz que aproxima o calor de quem quer ser próximo,

Nas feridas que deixaram o passado um dia para serem futuro,

E no pensamento de quem imagina sem escutar o mar,

Que as esperanças da minha fé nas palavras dos profetas descobrem,

Um lugar onde a minha voz será assim ouvida até o despertar de um dia.

M.

 

castelo.

 Perdidos no silêncio que escuta naquela ária bradada ao longe,

Mensagem que é vista por quem a vista cerrou,

E num sofro de coração encontrou um momento que atinge,

A brancura de onda destemida que beija o que ficou,

Esquecido no quarto de um castelo que agora ressurge.

M.

 

 

     

iradas

 Floresta de pirilampos que ornamentam a fantasia,

Em asas de palavras que se escrevem no cimo de um monte,

Num caminho em que a calçada é feita de lágrimas derramadas,

No frio a sensação de um arrepio que atravessa até à falésia,

Agarrado ao momento em que sinto em ti o meu horizonte,

E sem saber se as letras são apenas ilusões de palavras iradas.

M.

 

suspiro.

 Sento-me ao redor de um vislumbre de luz,

Acredito que as estrelas seguem o meu sentido,

Talvez serei um grão de uma praia desconhecido,

A certeza que apenas o monge não contradiz,

Numa leveza que a escrita é feita de feitiço,

E num dia a noite leva o seu último suspiro.

M. 

flor.

 Espelho que reflete o sonho de querer viver,

Reflexo que se ilumina ao sentir o teu calor,

Orador que entoa palavras ao vento para escutar,

Sonhador que descobre no sal a vontade de beijar,

Ilusionista que espalha magia até comover,

Vida que surge onde surge aquela flor.

M.

 

pensador.

 Um raio de luz que ilumina a encosta de um malandro,

Uma rua que percorre o caminho de um viajante,

Um deslumbramento que encadeia o encenador,

A sorte que saboreia o pobre pescador,

Um desígnio que oculta o destemido pedante,

A cor que imagina o pintor junto ao seu quadro,

A felicidade que é saber que um dia tu és um pensador.

M.

 

aprendiz.

 Em sonhos a imagem de uma doce melodia,

Danço neste dueto um estranho momento de magia,

Encontro em prosas de Amor um desejo ardente,

Fantasias que se escrevem numa paisagem cadente,

E numa bola de cristal vejo o futuro que sorri,

Voando por entre as brumas como um colibri,

Sem medo ou vergonha de agora ser feliz,

Mas sem esquecer que serei sempre um aprendiz.

M. 

oceano.

 O meu último suspiro que chora por ser feliz,

Como posso eu ser o caminho que se estende para além,

Até ao fim dos dias do mundo sou eu que procuro,

Na volta que o girassol dá ao descobrir a luz da vida,

Sem inimigos que assaltem o sabor de um calor,

Que irei sentir no descanso de um prado de violetas,

Para em mim encontrar a paz vivida na bravura,

De um oceano derramado de lágrimas sentidas.

M. 

ávida.

 Num poder que vem de dentro para descobrir o desejo,

Uma imensidão de nada que se desfaz no vento sentido,

Tesouros que se escondem na penumbra de uma noite vivida,

Que lava a nossa Alma no alvorecer de um dia ensolarado,

Parto pela porta deste mundo à procura de um lampejo,

Para iluminar a sombra que se oculta onde tudo é permitido,

E sem saber se vou pela verdade deste caminho onde a vida,

É o momento pelo qual a minha Alma será assim ávida.

M.

 

 

mel.

 Um pouco mais de força para ser a luz de um dia,

Gentil melodia que acaricia o perfume do infinito,

Das viagens que são feitas até ao último reduto do marinheiro,

Enfrentando as ondas de um mar revolto que nos assalta,

Sem saber se a terra será avistada para um mais ver,

A cor dos teus olhos que acalenta a noite fria e nua,

E ao rever os teus lábios saber que ao beijá-los assim será,

O fim de uma epopeia que termina no doce sabor a mel.

M.

 

 

limites.

 Na voz da história infinita que uma vez sonhamos,

Um conto que é escrito pela inocência de um homem,

Percorrendo a terra do nunca pintada no céu de azul,

Saboreia a noite cintilante onde o destino não tem limites,

Naquela loucura indescritível que só os poetas conseguem,

Nascer de um berço uma visão enluarada nos apaixona,

E na memória de uma chuva miudinha ficamos a ver o Sul,

De um sol que esgueira pela penumbra de um teatro que amamos.

M.

 

 

albatroz.

 Na costa onde um albatroz aprecia um momento de visão,

A voar quilómetros e quilómetros à procura de um chão,

Que seja firme para percorrer mais uma aventura da sua paixão,

E nas doces brumas que as ondas da manhã procuram a sua elevação,

Partindo em para além do universo que estende pela multidão,

Ao encontrar o seu lugar dentro do seu coração.

M.

 

almeirim.

 Segredos de um universo sem fim,

Boleia de vento solar que surge ao acaso,

Numa algibeira encontro o meu astro,

E no peito da minha amada o meu teatro,

Corro em desespero para não chegar com atraso,

Na estrada que vai dar a Almeirim.

M.

incomodar.

 São passos que vão devagar ao redor deste caminho,

Em realidade de um insurgente que desafia o instinto,

Numa onda de paixão que assola o ser com carinho,

E numa fria noite acalenta-me um copo de tinto,

Mas ao acordar sei que na verdade irei encontrar,

O momento pelo qual nunca mais irei incomodar.

M.

absinto.

 No quarto do meu desespero encontro o sossego,

Acendo o candeeiro para na luz ver o meu apego,

Pego num livro e abro mais um capítulo,

Sem saber se um dia saberei o seu título,

Numa frase sinto a narrativa de um enredo,

Em desespero leio sem velocidade porque não é cedo,

Para saber se a história encerra mais um momento,

Ou apenas caminha para mais um argumento,

Da personagem que procura o seu papel neste labirinto,

E assim encontra o seu o sabor do seu absinto.

M.

melodia.

 Verdes campos feitos ao longo de uma lufada de sol,

Fontes de água que jorram a felicidade pela rua descalça,

Raminhos de flores que rodeiam o alto desta balça,

Cambalhotas que vão e vêm na sombra deste farol,

Dunas que nos acolhem no cansaço de um dia,

E na voz da maresia o som de uma melodia.

M.

anjos.

 Quem me dera que o céu fosse feito de cetim,

Voar contigo por entre as nuvens pintadas de alecrim,

Imaginar o arco-íris que nos guiava pela aventura,

Das Almas que se encontram na cor de uma mistura,

Feita de sensações e paixões que assim nos deleitam,

Ao abrir uma janela onde os anjos espreitam,

A vontade de querer ser livre dentro do nosso coração.

M.

encantada.

 Um mundo feito de sombras de uma terra desconhecida,

Destino de Almas que procuram a vontade de amar,

Caminhos onde florescem as flores de perfume a derramar,

Rios que lavam as nossas feridas numa tarde oferecida,

Sentimentos que nos elevam até à escolha de sublimar,

E num beijo eterno desenhamos uma loucura encantada.

M.

 

 

entrada.

 Um caminho que se faz junto à estrada,

Um credo que levamos connosco até ser,

Uma mensagem que deixamos ao saber,

Um sentimento que nos aperta até ter,

Num pedido que fazemos para ter entrada,

Naquele que é o lugar onde as Almas repousam,

E a magia de entender aquilo que revelam.

M.

 

quarto.

Que lindo verde que se estende pela janela do meu quarto,

Que vontade de saltar por entre as silvestres tulipas,

Olho em frente para em mim encontrar o teu caminho,

Visto os meus sapatos de palha para ir ao encontro,

Sinto o aroma do teu perfume que guia o meu andar,

Que loucura que me assalta a Alma por saber que te vejo,

Ali no cimo daquele monte onde as magnólias ilustram o teatro,

Do sonho que iremos viver durante a corrente da nossa vida.

M.

 

percorrer

 Quero andar pela rua ao lado de quem me quer,

Ser feliz é uma vontade que vem de dentro do meu ser,

Atingir a metamorfose de um casulo feito para transcender,

Num caminho que trevas e sombras irei percorrer,

Mas a saber que na luz irei combater até viver,

Aquele dia em que na loucura vou satisfazer.

M.

um dia.

 Um dia que começa com um beijo de vontade,

Um dia que segue pelo azul pintado durante a noite,

Um dia que vai ser feito de desejos de querer,

Um dia que sorri para ti depois da tempestade,

Um dia que escreve mais um capítulo sem convite,

Um dia que nasce para que possamos assim percorrer,

Um dia que é feito de luz para que possamos amar.

M.

só sei.

 Só sei que nada sei ou talvez saiba,

Só sei que um dia irei ou talvez não,

Só sei que o céu é azul ou talvez turquesa,

Só sei que a noite é escura ou talvez brilhante,

Só sei que vou amar e talvez ser feliz.

M.

Sauvignon.

 Esta é a nossa vez de voltar a respirar o nosso ar,

Levanto-me deste vazio que se esconde na penumbra,

Num mundo que gira à volta de uma batida maluca,

Olhamos no horizonte para vislumbrar a noite sagrada,

Curtimos mais um sauvignon à espera de apenas ficar,

A sonhar na forma como iremos ser felizes à varanda,

E num piscar de cores faremos Amor até à noite escura.

M.

 

improviso.

 Vasculha-me esta Alma que foge entre dias corridos,

Foge comigo para onde o Sol é luz de vida ao adormecer,

Sente a brisa que se espalha pelo vale das rosas do alvorecer,

Descobre no vazio do oceano os sons por onde somos conduzidos,

Voa até ao alto daquela montanha e solta o teu sorriso,

Abre as asas e saboreia o sabor dos morangos no meu improviso.

M.

 

Ó toiro.

 Lá vai o toiro pela porta aberta,

Lá vai o cavaleiro vestido de azul,

Lá vai a multidão que aclama o espetáculo,

Ó toiro! ó toiro!

Bufa no ar a sua bravura de força,

Arranca para cima e solta um olé,

Cavalo que dança à sua frente na dança da volta,

Anda toiro, anda toiro,

O cavaleiro destemido investe sobre a brava façanha,

Aí está! aí está!

Volta de vitória que é aplaudida em carrossel,

Ó toiro! ó toiro!

O valente segue ao seu encontro sem medo,

Anda toiro! anda toiro!

Agarra pelos cornos essa força que arranca,

De retaguarda vai a pega desta resistência,

Aí está! aí está!

Em ziguezague perde o sentido de orientação,

Ó toiro! ó toiro!

Brava é a tua força que agora testa a sua coragem.

 M.

ardente.

 Pelo ar que percorre este sabor de viver,

Sinto junto a mim um valor de querer,

Chamas que ardem em mim numa corrente,

Vontades que quero ter junto às lezírias,

No desbrochar da primavera sinto a torrente,

Num rasgar de páginas que nem tu dirias,

Juntamos as mãos e vamos em frente,

Assim será um dia as ondas de maresias,

Que preenchem a paixão de coração ardente.

M.

 

mergulhar.

 Este é o momento de voltar a sair pela estrada,

Navegar entre as pedras e os arbustos que ornamentam,

O lugar de um ser que apenas nasceu para viver,

Onde a loucura é uma constante da sua memória escrita,

Num silêncio de vozes gritantes que por ali passam,

Ao chegar à maresia de uma praia deserta de água,

Mas com vontade de mergulhar neste desconhecido horizonte.

M.

cigarro.

 Desço pelas escadas até à esquina desta ponte,

Acendo mais um cigarro e olho para luz semicerrada,

Uma sombra que se aproxima num andar elegante,

Deixa um véu de perfume no ar que me deixa embriagado,

Um olhar misterioso que penetra o meu sonho,

Dou mais um passo para me aproximar deste momento,

Solto um sorriso de quem sente um ardor junto ao peito,

Não sei se devo ou não avançar na sua direção,

A chuva começa a cair nos nossos corpos que se aproximam,

Pergunta-me se tenho lume para acender um cigarro,

Vou ao bolso e apenas encontro um charro,

E sem vergonha pergunto-lhe se vai fumar comigo,

Um beijo na sua face eu dou,

Até uma próxima vez assim diz ela,

Algo que ficou ali para voltar a repetir.

M.

 

 

 

sempre que.

Sempre que a vontade abraça o desejo eterno,

Sempre que o momento surge no horizonte,

Sempre que lágrima escorre pela ponte,

Sempre que o frio chega durante o inverno,

Sempre que a música faz o mundo girar,

Sempre que no coração formos assim levar,

Sempre que na Alma o meu ser se encontrar,

Sempre que o nosso beijo for sempre a elevar,

Sempre que o Amor assim for para cultivar.

M.

herdade.

 Vou até ao fim do meu mundo à procura do teu sorriso,

Desbravo montanhas de algodão para ser o poiso,

Onde as asas de um anjo vão adormecer ao cair,

Sabendo que o céu é azul e o mar é para colorir,

De cor que apenas o teu riso sabe onde se esconde,

Atrás de um caminho que nos leva até à herdade,

E assim as rosas desabrocham em flor à espera de ver,

O Amor que por ti eu quero sem cansaço escrever.

M.

original

 Não sei onde será o meu final,

Procuro a senda de um sinal,

Que desperte em mim a força brutal,

E domine a besta quem em mim é tal,

Mas ao dormir saber que é vital,

Ao acordar sentir que foi divinal,

O sentimento de ouvir o som original.

M.

 

escrever.

 Quero ver o sorriso em ti como vi sempre,

Sentir a vontade de abraçar sem compromisso,

Mostrar que a minha emoção é verdadeira,

Caminhar contigo pelo desafio do teu sonho,

Saber que o meu desejo é o teu,

Descobrir que o Éden é nosso recanto do Amor,

E nas brumas de prazer sentimos o despertar,

Dos silêncios que ficaram por escrever.

M.

 

tosga

 Sou o capitão da minha Alma que assim navega,

Escrevo palavras que deito ao vento à espera de serem lidas,

Sonho com as vozes de mel que nos fazem as delícias,

Dou mais um passo em busca de não ficar pitosga,

Ao saber que no meu oceano as vontades são destemidas,

Sem saber se a bussola está certa ao apanhar uma tosga.

M.

 

 

 

Letras

​Nem escrever agora sei, Letras que me deixem sonhar, Um momento de alegria contigo, Falar de sentimentos ao luar, E deitar-me contigo na en...