paredes.

Quatro paredes que escutam a harmonia do nosso suor,

Vontades que transpiram o perfume de quem quer,

Longos pensamentos que escrevem o branco das nuvens,

Dias que são feitos de folhas caídas ao virar da esquina,

Momentos que guardamos na memória dos nossos sonhos.

M.

deleito.

 Deito-me neste campo de trigo e contemplo na escuridão as cintilantes estrelas,

Imagino o espaço e tempo que nada conseguem para a luz sentir,

Nas cortinas desta noite escuto o som de quem apela pela sua parceira,

Passa por mim aquele vento que sentimos no despertar de mais um sentido,

Estendo a minha mão na tentativa de alcançar o véu daquele cruzeiro do Sul,

E sem saber beijar deleito-me no teu Amor.

M.

profundo.

 Olha pela janela e vê que lindo é este mundo,

Roda e anda à volta e descobre o sabor do vento,

Salta na água e vê como a vida é apenas passageira,

Abraça o teu sentimento e alimenta o alento,

Dança até ao infinito sem medo até à beira,

Do cume que nos espera naquele Amor profundo.

M.

 

façanha.

 Fecho os meus olhos e sonho em ver o dia de amanhã,

Agarro na paixão e subo à colina do meu coração,

Oiço a música que nos brinda melodias pela manhã,

Descubro em ti o caminho da minha ambição,

E na vontade de saber que assim será esta façanha.

M.

denaveios.

 Ondas de sabor intenso que nos beijam a boca,

Sal que sentimos ao passar por ti os meus lábios,

Lavamos ao vento a nossa Alma ao elevar o sentimento,

E nos olhos de quem se vê e não sabe onde fica esta época,

Apimentamos mais esta noite de calor na certeza de um condimento,

E no cansaço escrevemos mais umas linhas dos nossos devaneios.

M.

 

 

sabor

 Ando mais um pouco por entre esta esteira de linho bordado,

Um aroma que transpira por entre os poros do caminhar,

Ao fundo o óleo que perfuma um lagar que alguém pisou,

Calor que me deixa uma sede de beber um beijo da tua boca,

Na sombra daquela oliveira vejo o esvoaçar do teu lenço,

Corro em tua direção numa travessia sem acerto,

E num abraço sinto o palpitar do teu coração que se desprende,

Na loucura de quem vê pela primeira vez a frescura deste sabor.

M.

viajo.

 Viajo por entre as curvas da celeste passagem,

Arrasto os meus dedos pelo véu das estrelas cadentes,

Abraço a vagante onda de ruído que sentimos ao sonhar,

Em união simbiótica que as cores do arco-íris gracejam,

Na bonança que a felicidade carrega nas asas de Amor.

M.

 

 

melancolia.

 Melancolia de uma mensagem simples que transpira,

Escuto no vazio do som perdido o rugido amanhecido,

Janela aberta para o sul e no ar saborear a poeira,

No bolso a recordação que vai comigo até ficar perdido,

E sem saber ler atiro para o lago a minha cegueira.

M.

 

 

 

 

nada.

 Nada é nada quando nada é apenas um vazio,

Arte é arte até o dia em que apreciamos o traço,

Eu e eu são egos de um passado que tens que avançar,

Luz surge da escuridão de negro pensamento,

Mas a inocência de voltar à origem é o caminho,

Sem saber como lá chegar eis o desafio,

E num abraço sentes a essência daquilo que chamamos vida.

M.

tudo.

 Tudo o que alguma iremos fazer será apenas um momento,

Tudo o que podemos ser apenas é uma sequela de lembrança,

Tudo o que alguma vez ganhamos apenas é um vazio,

Tudo que conhecemos é apenas nada de um livro,

Tudo que sentimos é apenas aquilo que vai até ao fim.

M.

 

inocente.

 Dias de sol ao amanhecer de um girassol que nasce,

Mais um passo que segue em frente até aquele monte,

Perfume que ao meu lado torna a minha Alma quente,

Paro e olho como uma criança vê ao longe o horizonte,

No infinito sonho que um dia fica assim clarividente,

E sem saber escrever apenas o seu sorriso inocente.

M.

inflamar.

 Pela porta de vento que sopra um fio de arame,

Um desejo ardente de agarrar o mar,

Sem saber se o sal é a sensação de quem vai firme,

Olho para dentro e procuro a forma de escamar,

O segredo de um dia voltar a ter o charme,

Na noite em que tudo será para inflamar.

M.

diverge

 Atrás de uma rocha que se esconde um assobio de vento salgado,

Uma andorinha do mar que no horizonte procura o seu caminho,

A maresia que invade o olfato de quem respira por estar empolgado,

Que a travessia por entre as brumas é feita por quem não está sozinho,

E pela mão de quem escreve à esquerda avizinha o navio ao longe,

Atravessando as ondulações para ali saber que nada diverge.

M.

ver.

 Eu tenho os olhos de meu Pai que acalma o meu ver,

Nas minhas mãos as rugas de quem conheceu cedo,

A luta de enfrentar as diferenças de quem um dia quer ser,

Um louco que vagueia entre pensamentos e correntes,

Que um dia vão desaguar à margem de uma vida que é vivida,

Na força de um sal que nos apimenta a vontade de correr.

M.

Como posso.

 Como posso ser eu um vento do norte,

Serei uma brisa que acaricia a tua pele,

Como posso ser eu uma centelha nesta fogueira,

Serei uma labareda de um fogo interminável,

Como posso ser eu uma Alma que procura,

Serei um momento de ternura no teu coração,

Como posso ser eu o sonho de uma noite,

Serei a mão que leva até ao lugar dos anjos,

Como posso ser eu a loucura do teu encanto,

Serei o beijo que enche a Alma na minha maluqueira.

M.

excessos.

 Excessos e devaneios que deturpam o sentido,

Sombras e escuridão que iluminam o recanto escondido,

Palavras e frases que se fazem na escrita junto à areia,

Vontades e desejo por um dia ser diferente e de lua cheia,

Loucuras e Amor sempre que nos apetece sentir outra vez.

M.

 

poeira.

Na inocência que se desvanece num rasgo da violenta realidade,

Uma página escrita a preto e branco em que não é possível colorir,

Sentimos o frio da neve que nos atravessa através da poeira da vida,

Movimentos que tremem a porcelana de um corpo enchido de sabedoria,

Quero quebrar as fundações das lágrimas que não me escorrem,

Para num sentimento sonhado um dia voltar a pensar em ser o caminho,

E sem saber por onde vou saber que algo fez sentido em toda esta imensidão.

M.

eternidade.

 Ondas surdas que se ouvem ao cair de uma lágrima,

Pensamentos sem alcance que lutam por ser escritos,

Numa melodia insegura que exalta o orgulho sentido,

Descoberto entre o viajar de Almas que pedem piedade,

Vindos lá do cimo de uma enovoada queda de um Anjo,

Para num fecho de rostos apagados abrir o meu coração,

E sem receio de esconder o sonho que nesta eternidade.

M.

 

felizes.

 São flores senhor, são flores senhor,

Olha para mim, olha para mim,

Faz frio, faz frio,

Deixa-me mostrar, deixa-me mostrar,

Não sei, não sei,

Toca o meu rosto, toca o meu rosto,

Que ternura, que ternura,

Fica mais um momento, fica mais um momento,

Sente a alegria, sente a alegria,

Corre comigo, corre comigo,

Fico cansado, fico cansado,

São sentimentos senhor, são sentimentos senhor,

Olha para nós, olha para nós,

Que lindo sorriso, que lindo sorriso,

Deixa-nos felizes, deixa-nos felizes.

M.

 

texto.

 Cavalgo por entre as folhas daqueles eucaliptos,

Sou livre e sinto no meu rosto a sensação do infinito,

Concentro-me em ti à procura daquele equilíbrio,

Sinto o seu coração no ritmo para dar mais um salto,

Somos feitos da mesma fibra e corremos sem fim,

Não é este suor que nos irá abrandar neste festim,

Dos sentimentos que levamos dentro deste mistério,

A que alguns um dia disseram que era apenas um texto.

M. 

esperança.

 Não sei escrever o que sinto ou que não sinto,

Esqueço as palavras que fazem sentido dentro deste sino,

Num hoje que é um dia do amanhã que foi ontem,

Neste mundo que assim foi criado para aqueles que assistem,

Sentados em frente a um palco que demora a ser destino,

Daqueles que tropeçam na esperança que recitem,

Aquele poema em que as letras sobem até ao cimo deste reino,

E de lá chovem na terra as melodias dos anjos que acorrem,

Às Almas que se encontram no vinho que é eterno.

M.   

receita.

 Que história é esta que escolhe enredos sem permissão,

Personagens que mostram a sua arte na rudeza da rua,

Desafios que parecem feitos para Deuses sem chão,

Marcas que nos deixas neste corpo que vai pela estrada nua,

Estaremos sem saber se um dia iremos estar no teu coração,

Mas na certeza de que o sonho foi vivido numa receita perpétua.

M.

fusão

 Sabes que em mim és uma fonte de inspiração,

Por ti vou encontrar uma forma de mostrar gratidão,

Na soma das multiplicações da vida irei encontrar perdão,

No encontro de seres desencontrados afastamos a solidão,

E sem saber escrever em linhas tortas faremos fusão.

M.

piscar.

 Esta é uma vida que se escreve sem saber o que soletrar,

Num piscar de luz um dia que passar a correr sem se saber,

Se aquele momento que não vivemos na saudade irá ficar,

Fortuna daqueles que sabem aproveitar a sorte de viver,

Abraço que dou num sentimento que é eterno,

Num beijo de quem foi e de quem é a tinta deste dizer,

Vejo no vento a sensação de ter sido mais alguém,

E espero que em mim possas sentir o orgulho de ter,

Um pilar que soubemos construir sem medo e sem desdém,

E que ao folhear mais capítulo possas ver o meu amor interno.

M.

abraçar.

 Vastos trilhos de selvagens ondas que nos deixam de rasto,

Sem esquecimentos que nos tragam tristezas apagadas,

Largo por entre este caminhar todas as mágoas passadas,

Levanto-me em direção a ti para no teu refúgio possa ser o meu pasto,

E ao levantar o meu rosto para ver o sol possa lá descansar,

No encanto de um dia ter encontrado quem irei abraçar.

M.

sede.

 Sei que ao abrir esta porta a luz virá,

Sei que ao sair deste lugar encontrarei,

Sei que ao sorrir irei lembrar,

Sei que ao te ver calor sentirei,

Sei que ao beijar a vontade de sede ficará.

M.

sacramentos.

 Sacramentos de luz que escrevem as linhas deste sentimento,

Confins de espaços vazios que preenchem uma alma flutuante,

Rios de água que correm para um oceano de lágrimas que secaram,

Terras de tesouros escondidos que se encontram ao beijar o vento,

Maleitas que se curam ao beber do teu corpo o suor de um desejo,

Segredos que te sussurro ao ouvido e sem pudor pedir mais um beijo.

M.

Letras

​Nem escrever agora sei, Letras que me deixem sonhar, Um momento de alegria contigo, Falar de sentimentos ao luar, E deitar-me contigo na en...