fidalgo.

 Ao longe vejo um arco-íris que pinta o céu,

Ali onde as almas se encontram na felicidade,

Numa viagem de tempo vivido sempre ao léu,

Em segredos de um baú que esconde insanidade,

De um dia saber que em ti irei encontrar a paz,

E na vida voltarei a ser um rapaz,

E tu uma rapariga que em mim viste algo,

Mesmo sendo eu apenas mais um fidalgo.

M.

 

 

perfeito.

 Agarro este sentimento e vou até ao infinito,

Coração de mel que se desfaz com o teu jeito,

Saudade de sentir o ar que lava o pensamento,

Na anatomia de um ser que procura o seu mito,

Em busca do momento que temos direito,

De em vida sermos livres em que tudo é perfeito.

M.

 

 

 

chovida.

 Quando o dia é feito de cortinas escuras,

Sigo em direção ao destino do que procuras,

Sem saber se a loucura é um estado,

Ou o sentimento de viver está assustado,

Varre-me o pensamento de quem um dia pensou,

E descobrir que apenas eu sou,

Um ser que descobre o sal da vida,

E num piscar de olhos o sabor de água chovida.

M.

vivida.

 Brancos laivos de sabor que não sinto,

Trincheiras que tenho de criar para ser,

Beleza que não tenho para um dia viver,

Sentimentos que um dia consinto,

Movimentos pendulares que me deixam louco,

Salto no vazio do alto do Larouco,

Sem asas ou mestria de saber viver em mim,

Em água sem cor de um dia que terá o fim,

Para em calor o meu coração adormecer,

E sem saber ir até ao encontro sem dizer,

Que a minha vida foi vivida com prazer.

M.

 

 

 

Revirado.

 Revirado e virado de alto a baixo,

Encarar o falar de nada dizer,

Perder ou ganhar não é relevante,

Coisas que apenas acumulam lixo,

Apenas em ti confio o meu semblante,

Numa loucura que iremos fazer,

Com o destino que cruza oceanos,

E pelo mundo andamos sem planos,

À descoberta daquilo que iremos dizer,

No fim da estrada que nos leva os anos.

M.

 

madrugada.

Um fogo que varre esta Alma despida,

Um sentimento que navega pela tua pele,

Um momento que vivemos até de madrugada,

Um abraço sentido que aquece os corações,

De quem um dia encontrou o seu caminho.

M.

quiser.

 Cansado de esperar pela esperança de ser,

Vontade de partir e não voltar a ter,

Incandescente saciedade de esperar assim,

Descontentamento de um momento sem marfim,

Gotas de água refletidas num espelho de suster,

Rumo sem mapa ou direção até ao confim,

De quem um dia será o que quiser.

M.

lavram.

 Lavram a minha Alma como se fosse ontem,

Atingem o meu coração como se fosse aço,

Levam o espólio construído com sangue do palhaço,

Imaginam que de lembranças se divertem,

Esquecem que de querer é feito o meu abraço,

Fujam porque atrás de nada ninguém vem.

M.

um.

 Não posso mais esperar que o dia seja azul,

Sei que tenho de avançar em direção ao sul,

Que manifestação de inação é esta que me assola,

Escrevo frases sem sentido e sem sola,

De alguém que corre em direção a lugar nenhum,

Cheio de novelos embrulhados em jejum,

Na esperança de que um dia seja uma bússola,

Orientada à velocidade daquilo que é um.

M.

 

 

 

sabor de vida.

 Porque me caem as lágrimas que se escondem,

Num vazio de imensidão sem sentido,

Carente de voltar a saber como os seres transcendem,

Num desafio que não sei se sou entendido,

Sem noção se a matemática junta as partes que podem,

Num sabor de vida que só pode assim ser vivido,

Afasto o medo de mim e vou à procura das almas que cedem.

M.

 

 

pérola.

 Marcas de uma vida sofrida que me assola,

Linhas de esperança que vejo na palma da mão,

Desejos de um ser que quer ter a paixão,

Num momento de eternidade que consola,

Um coração que navega por entre a sensação,

Que um beijo é feito de uma brava pérola.

M.

 

Um dia serei.

 Um dia serei eu a ser feliz,

Um dia serei eu a voar mais alto,

Um dia serei eu a ter a sorte,

Um dia serei eu a ver mais longe,

Um dia serei eu a querer ser,

Um dia serei eu a ser amado,

Um dia serei eu a amar,

Um dia serei eu a voltar a acreditar.

M.

tudo.

 Tudo é vento que passa sem se ver,

Tudo é alegria que passa sem sentir,

Tudo é vontade que não é atingida,

Tudo é loucura quando é querer,

Tudo é mentira nos dias de sombra,

Tudo é amor assim que formos existir,

Tudo é passageiro num fio da navalha,

Tudo é dia quando a noite se vai vestir.

M.

merecida.

 Algo que se desperta ao tocar o meu ser,

Fantasmas palpitam junto à caverna adormecida,

Num fôlego de ar respirado vou conhecer,

A fantasia de um sonho agora é apetecida,

Na loucura de saber que apenas sou eu,

Que um dia teremos uma vida merecida.

M.

 

 

De querer.

 De barro é feito a suavidade do meu ser,

De querer viver não sei onde irei,

De momentos que se desenham eu serei,

De vontade é feito o meu querer,

De amor vou até ao infinito para sentir,

De descoberta será o caminho até ir,

Ao encontro da minha Alma junto à tua.

M.

vejo.

 Claros são os dias em que nada vejo,

Sombrios os momentos destes desafios,

Num movimento de astros celestes que eu protejo,

Com a vontade e sem medo de desvarios,

Numa leve nota angelical que assim desejo.

M. 

reflorescer.

 Um beijo que nasce no sonho de viver,

Uma lágrima que corre por entre rios,

Um sentimento que atravessa oceanos de adormecer,

Uma mensagem que é escrita em lençóis macios,

Um momento que é guardado para mais beber,

A vontade de querer voltar a sentir arrepios,

No aconchego de quem está a reflorescer.

M.

 

versado.

 Ondulante vibração que sinto ao te ver,

Moinhos de vento que atravessam pelo prado,

Lazarim que leva o meu demónio,

Em palavras em que nada sou versado,

Por entre terras em que não sou campónio,

Mas que por este dia eu quero agradecer,

Sem ele a noite seria um lugar sem magia,

E como água sem sal assim eu ficaria.

M. 

enredo.

 Divertidos sorrisos que a inocência nos brinda,

Brincadeiras que só fazem esta vida linda,

Somos uma ínfima luz deste segredo,

Apenas sabemos que a força é do rochedo,

E o tempo será o que faz o enredo,

Na esperança de que nada seja ainda,

Um momento sem medo.

M.

 

atendido.

 Vou para além do desconhecido vivido,

Quero saber onde fica o vale das almas perdidas,

Seguro o meu farnel para que não seja varrido,

Lendas que ecoam por entre as viagens proibidas,

Coração que quer saber como ser atendido,

Brumas de mar desbravado que deixa feridas,

Vontade que é forte e não será destruído,

Assim se faz um dia deste ser decidido.

M.

Vagueio.

 Perdido entre o mar e a serra assim vagueio,

Parto sem destino para descobrir o meu anseio,

Na sombra da noite escondo a minha alma,

No cigarro um momento de solidão,

Mantenho o meu passar sem saber se acalma,

Junto ao peito levo o meu coração,

Que um dia será livre para escrever este poema.

M.

madragoa.

 São sombras que atormentam a minha alma,

Manobras de um ser que procura a calma,

Nos dias de chuva que insistem sem forma,

Ramificações sem dor ou sem madragoa,

Choro sem sentido para o fundo desta lagoa,

Olhando o espelho de quem não sabe ver,

Mas que um dia também quer viver.

M.

 

como posso.

 Como posso eu viver se não sei viver,

Como posso eu querer se não sei querer,

Como posso eu ter se não sei ter,

Como posso eu ser se não sei ser,

Como posso eu saber se não sei saber,

Como posso eu voltar a viver.

M.

atrofio

 Toco a tua face na esperança de ver,

Sinto o teu coração na vontade de ser,

Grito ao vento porque quero ter,

Atrofio o pensamento por saber,

Que um dia serei feliz por agradecer,

O beijo que dei na minha mulher.

M.

silvedo

 É hora de acordar e descobrir este segredo,

Junto ao meu sentimento este rochedo,

Viagem de cor infinita por este arvoredo,

Suor que atravessa este corpo de medo,

História que se escreve sem enredo,

Palavras que ecoam em vento neste moledo,

Traumas que assombram desde cedo,

Um momento que um dia será silvedo.

M.

 

 

confiar.

 Rios de sonhos que desvanecem ao luar,

Energia que me falta por querer lutar,

Convite à melancolia de um ser sem lugar,

Brilhante a estrela que me quer embalar,

Tristeza no coração que me faz gritar,

Gruta de amargura para onde vou sentar,

Sem saber se um dia irei confiar.

M.

 

aqui

 Traumas de quem não sabe viver,

Fantasmas de quem não soube sentir,

Loucuras de quem não foi louco,

Sentimentos que foram escondidos de sorrir,

Frio que gela o ardor que sinto a ir,

Melancolia que me deixa tão pouco,

Vento que me leva até ao desejo de ti,

E saber que vais estar sempre aqui.

M.

salvação.

 Vagueio por entre vales e montes à procura de mim,

Saio pela porta à escuta de um som perdido,

Sangue que corre nas veias por ser um bandido,

Dentro deste desassossego corro para um jardim,

Não sei por onde irei conduzir a minha Alma,

Procuro fugir de onde sei que sou fantasma,

Lindo é o sol que um dia ilumina o coração,

Na sua força sigo com a mesma determinação,

Que um raio será a minha salvação.

M.

 

sal grosso.

 Águas de mistura turbulenta e enferma,

Vontades que atravessam montes e vales,

Sofrimento que permanece neste palerma,

Calor que acende o sentimento mais simples,

Num momento que um dia será nosso,

E que é vivido ao sabor do sal grosso.

M.

 

 

sei que.

 Sei que não sou aquilo que desejo ao raiar do dia,

Sei que não fui capaz de saber colecionar experiência,

Sei que tenho dificuldade em ultrapassar o ciúme do passado,

Sei que acredito em momentos de maior loucura,

Sei que vou até ao fim com a determinação mesmo cansado,

Sei que irei encontrar no tempo a minha cura.

M.

Letras

​Nem escrever agora sei, Letras que me deixem sonhar, Um momento de alegria contigo, Falar de sentimentos ao luar, E deitar-me contigo na en...