vislumbres

 Quando sabes que o teu ser é mais uma gota de água,

Naquele oceano onde as lágrimas se juntaram,

Um vasto manto azul de dores partilhadas,

Silente testemunha de sonhos desfeitos e anseios calados.


Quando apenas procuras uma centelha de vida,

Naquela vida que um dia quiseste viver,

Caminhas em sombras, guiado por ecos de lembranças,

Buscando nas ruínas a chama que outrora te aqueceu.


Quando a esperança parece uma miragem ao longe,

Naquele paraíso que alguém um dia disse que existia,

Ergues os olhos ao horizonte, ansiando por vislumbres,

De um futuro promissor, além do deserto de desalentos.


Quando o teu beijo se deixa ir ao vento de uma torrente,

Naquela manhã que acordaste sem saber se eras,

Flutuas em tempos incertos, alma desamparada,

No turbilhão de sentimentos, navegando sem porto seguro.


Mas ainda assim, entre as vagas e marés do destino,

Encontras na essência, a força de persistir,

Pois mesmo sendo uma gota no vasto oceano,

És parte de um todo, és vida a se redescobrir.


M.

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