suor

Atira mais um trago deste sangue para aquela colina ao sol,

Deixa-me correr sem medo de pensar se vou cair,

Que odor se espalha por este corpo despido de tanto lutar,

Mais um momento de gritar bem alto a vontade de ir,

Para em cada gota de suor sentir o perfume de mais um dia.

M.

presente

 Por entre os dedos de uma mão que calcinou no tempo,

Nas verdades de uma tempestade encontrada ao longe,

Acordo de um pesadelo onde o sono fez figura presente,

Sem centelha procuro mais um cigarro para acreditar,

Na esperança de um momento que o Sol seja feliz.

M.

Queres

Queres ouvir o que o vento de conta ao ouvido?

Queres descobrir uma letra escondida num verso?

Queres saber porque o calor é feito de brilho?

Queres saber onde leva este rio um pouco de sal?

Queres entender o murmúrio de uma melodia?

M.

 

não sei

Não sei muito bem o que devo fazer neste marasmo,

Não sei por onde caminhar sem que isso pareça um sacrifício,

Não sei que tristeza me assalta quando o sol brilha,

Não sei que loucura me deixa sem respirar no vento,

Não sei se acredito nas estrelas que caem durante a noite cerrada,

Não sei se vou a algum lado descobrir mais um lugar sem motivo.

M.

vacilam

Mas o vento, impiedoso, leva teus desejos,

Como folhas caídas, dispersas na tormenta,

E teus passos vacilam, frágeis, indefesos,

No labirinto da alma que te atormenta.

M.

outrora

Teus olhos, outrora faróis de esperança,

Agora perdidos, náufragos sem direção,

Buscam no horizonte uma tênue lembrança,

De tempos passados, de vida e paixão.

M.

acorde

Nesta escuridão onde murmuram as ondas de uma viagem,

Deixa apenas um destino sem saber se alguma vez foste,

Esconde-se no fundo de um oceano a chama de uma luta,

Será uma lembrança nos lábios que nos beijaram,

E num vazio que se dissipa no horizonte procuras o vento,

Para numa noite de luar aberto tecer mais um acorde.

M.

vazio

 Quando o teu beijo se deixa ir ao vento de uma torrente,

Naquela manhã que acordaste sem saber se eras,

Teus lábios murmuram segredos ao vazio,

E o teu coração, uma âncora, afunda em mar de dúvidas.

M.

vislumbres

 Quando sabes que o teu ser é mais uma gota de água,

Naquele oceano onde as lágrimas se juntaram,

Um vasto manto azul de dores partilhadas,

Silente testemunha de sonhos desfeitos e anseios calados.


Quando apenas procuras uma centelha de vida,

Naquela vida que um dia quiseste viver,

Caminhas em sombras, guiado por ecos de lembranças,

Buscando nas ruínas a chama que outrora te aqueceu.


Quando a esperança parece uma miragem ao longe,

Naquele paraíso que alguém um dia disse que existia,

Ergues os olhos ao horizonte, ansiando por vislumbres,

De um futuro promissor, além do deserto de desalentos.


Quando o teu beijo se deixa ir ao vento de uma torrente,

Naquela manhã que acordaste sem saber se eras,

Flutuas em tempos incertos, alma desamparada,

No turbilhão de sentimentos, navegando sem porto seguro.


Mas ainda assim, entre as vagas e marés do destino,

Encontras na essência, a força de persistir,

Pois mesmo sendo uma gota no vasto oceano,

És parte de um todo, és vida a se redescobrir.


M.

Quando

Quando sabes que o teu ser é mais uma gota de água,

Naquele oceano onde as lágrimas se juntaram,

Quando apenas procuras uma centelha de vida,

Naquela vida que um dia quiseste viver,

Quando a esperança parece uma miragem ao longe,

Naquele paraíso que alguém um dia disse que existia,

Quando o teu beijo se deixa ir ao vento de uma torrente,

Naquela manhã que acordaste sem saber se eras.

M.

tinta

Um olhar sobre o véu de uma manhã deslavada,

A Alma que vai nua nesta amargura de uma lágrima,

Um frenesim de vento que me assalta o sentimento vivido,

A loucura de não saber se no encanto o mar é azul,

Sombra de um pensamento que se escreve na tinta vertida.

M.

 

outrora

Sem sentido e sem rumo assim segue mais um vento,

No fundo de um poço a loucura outrora perdida,

Na imaginação um traço de maresia que se desprende,

No sentimento um desespero de uma vontade.

M.

madrugadora

Apenas quero mais um bafo de vida que me atravesse o ar,

Luto na penumbra de uma miragem escondida na bruma,

Descobrir um pensamento fugido da orla de uma margem abandonada,

Sentir-me vazio de esperança ao fundo de um casulo de mel,

Correr sempre a direito no encalce daquela luz madrugadora.

M.

castelo

Centelhas de lágrimas derramadas num oceano de luz,

Fantasias que pintam uma serenata cantada ao luar,

Momentos de prazer descobertos na cama de manhã,

Abraço de vontades desfeitas na hora do adeus,

Beijos cantados na janela de um castelo.

M.

abandonada

Não sei escrever linhas de pensamentos num poema encantado,

Fugo deste mundo para tentar ver o que me acontece na brisa,

De um poeta esquecido na esquina de uma rua abandonada,

Onde as palavras eram ocas e voavam por entre os dedos,

Daquele homem que almejou alcançar o nada,

E na despedida de uma sombra encontrou o Sol à espreita,

Para percorrer a estrada do sabor salgado na marina de um mendigo.

M.

miragem

Perdido nesta mensagem sem pensamento,

Procuro um lugar que não consigo encontrar,

A magia que uma vez foi é agora uma estéril miragem,

E sem sentido vou por este caminho sem saber,

Que o meu coração chora por algo que não descobre,

Serei uma vez mais a poeira de uma chuva de verão,

Que deslava a amargura de um dia preenchido de sol,

Naquela praia onde os sonhos foram desejados,

E a minha Alma encontrou um caminho para o destino.

M.

 

vacilado

 Já fui uma voz de esperança na maresia de uma verdade,

Nas veias de um sangue que corre para uma direção sem sentido,

Um atrofio de uma mente presa num espaço sem saída,

A loucura que me assalta em pensamentos sem lugar aqui,

Deixo-me na amargura de um beijo não vacilado na bruma.

M.

 

Letras

​Nem escrever agora sei, Letras que me deixem sonhar, Um momento de alegria contigo, Falar de sentimentos ao luar, E deitar-me contigo na en...