Neste corpo despido não me encanta o que vejo,
Coleccionei dias, mas deixei por viver demasiadas noites,
Tenho medo dos olhos dos outros, porque neles imagino todos os meus defeitos,
Tantas primeiras vezes ficaram à espera de mim,
Visto-me de silêncio para que ninguém veja do que me envergonho,
Fiquei à porta de tantas experiências, com medo de não ser suficiente para vivê-las,
Escondi a pele como quem esconde uma história que não sabe contar,
Escondi-me dos olhos do mundo,
E o mundo acabou por passar sem mim,
Tantos lugares ficaram apenas na imaginação,
E agora pergunto ao tempo,
Quanto da minha vida perdi,
Por ter medo de ser visto?
M.