Demasiadas noites

Neste corpo despido não me encanta o que vejo,

Coleccionei dias, mas deixei por viver demasiadas noites,

Tenho medo dos olhos dos outros, porque neles imagino todos os meus defeitos,

Tantas primeiras vezes ficaram à espera de mim,

Visto-me de silêncio para que ninguém veja do que me envergonho,

Fiquei à porta de tantas experiências, com medo de não ser suficiente para vivê-las,

Escondi a pele como quem esconde uma história que não sabe contar,

Escondi-me dos olhos do mundo,

E o mundo acabou por passar sem mim,

Tantos lugares ficaram apenas na imaginação,

E agora pergunto ao tempo,

Quanto da minha vida perdi,

Por ter medo de ser visto?

M.

lady f*

Sou alguém que escreve para compreender o que sente e para dar forma ao que, de outra maneira, ficaria preso no caos dos pensamentos. No Stupid Brain, a poesia nasce como um diálogo íntimo entre a mente e o coração, entre aquilo que se tenta esconder e aquilo que insiste em vir à superfície. Os meus textos percorrem territórios de amor, perda, desejo, solidão e esperança, explorando as fragilidades humanas com uma linguagem sensível, por vezes crua, por vezes delicada, mas sempre honesta.

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