Rasto de Jasmim

Um manto de pequenos cristais brancos banha a rua translúcida,

Percorro-a deixando atrás de mim um pequeno rasto de jasmim,

Desloco-me por entre os golpes de ar gélido que me beija o rosto,

Procuro nas estreitas ruas que se perdem entre muros altos e cheiro nauseabundo,

Um sorriso que me olhou num dia de sol de inverno,

Sei que lá estará à minha espera para voltar a ter dentro de mim uma centelha,

O meu fôlego assalta-me o peito na esperança de lhe ver as feições alvicelestes,

Chego perto da fonte das lágrimas e escorre-me o suor pelo corpo abaixo,

Lá está ela, sorridente e com ar de mistério que só a lua soube esconder,

Estendo-lhe a minha mão à procura da sua para nos entrelacarmos,

Uma magia que se desprende no vento e acaricia os seus lábios entreabertos,

Agarro-a com firmeza mas com a delicadeza de uma princesa,

Levo os meus lábios até à orla dos seus já humedecidos lábios,

Numa sensação sem temor estremecem-se dois corpos num fumegante sentimento.

M.


lady f*

Sou alguém que escreve para compreender o que sente e para dar forma ao que, de outra maneira, ficaria preso no caos dos pensamentos. No Stupid Brain, a poesia nasce como um diálogo íntimo entre a mente e o coração, entre aquilo que se tenta esconder e aquilo que insiste em vir à superfície. Os meus textos percorrem territórios de amor, perda, desejo, solidão e esperança, explorando as fragilidades humanas com uma linguagem sensível, por vezes crua, por vezes delicada, mas sempre honesta.

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