Um manto de pequenos cristais brancos banha a rua translúcida,
Percorro-a deixando atrás de mim um pequeno rasto de jasmim,
Desloco-me por entre os golpes de ar gélido que me beija o rosto,
Procuro nas estreitas ruas que se perdem entre muros altos e cheiro nauseabundo,
Um sorriso que me olhou num dia de sol de inverno,
Sei que lá estará à minha espera para voltar a ter dentro de mim uma centelha,
O meu fôlego assalta-me o peito na esperança de lhe ver as feições alvicelestes,
Chego perto da fonte das lágrimas e escorre-me o suor pelo corpo abaixo,
Lá está ela, sorridente e com ar de mistério que só a lua soube esconder,
Estendo-lhe a minha mão à procura da sua para nos entrelacarmos,
Uma magia que se desprende no vento e acaricia os seus lábios entreabertos,
Agarro-a com firmeza mas com a delicadeza de uma princesa,
Levo os meus lábios até à orla dos seus já humedecidos lábios,
Numa sensação sem temor estremecem-se dois corpos num fumegante sentimento.
M.