ando.

 Ando pela noite que ilumina o caminho do peregrino,

Ilustro uma epopeia de pirilampos que esvoaçam,

Retenho por entre os dedos uma poesia destinada,

Corta-me o vento a vontade de juntar mais um lugar,

É tempo de andar mais um pouco e voltar a descobrir,

Aprendo que nada se aprende,

Cruzo mais uma rua à procura da luz que perdi,

Sem saber se sou desconhecido que por ali passa,

Ou que a sombra é apenas uma névoa sem sentimento,

E agora sento-me junto ao rio para descobrir o orvalho da manhã,

No corpo o rocio que atravessa a pele como um relâmpago,

O sol surge e sem mais nada a vida volta a sorrir.

M.

 

 

 

hoje.

 Hoje nem sei que palavras irei utilizar para este desabafo,

Oiço música que me acalma o espírito maldito,

Acendo mais um cigarro para esquecer a neblina da manhã,

Agarro uma fagulha de ar rafeiro para o seu perfume sentir,

Solto mais uma palavra desbravada entre as folhas de papel,

Aguento este momento para além ir viver o seu encanto.

M.

vou.

 Vou dormir e sonhar que as estrelas são feitas de luz,

Vou acordar e pensar que o meu sonho se vai realizar,

Vou andar e caminhar em direção à procura do lugar,

Vou ouvir e calar até que deixe de ser uma cruz,

Vou escrever e ler as poesias de quem procuro,

Vou cantar e gritar até que a voz se transforme em ouro,

Vou pedir e acreditar que o mundo será apenas nosso.

M.

vamos.

 Vamos beber mais sabor que de azul se veste,

Vamos curar mais ressaca depois de uma noite louca,

Vamos passear junto à praia e sentir a brisa salgada,

Vamos sentir o Sol que nos ilumina no dia de hoje.

M.

 

chuva.

 Somos guerreiros a lutar no caminho da vida,

Fogo que lavra nos campos de alegria,

Seguimos em frente à procura do leve ser,

Olhamos o céu e procuramos a nossa felicidade,

Juntamos o momento de uma vela acesa ao luar,

Deitamos o Amor junto aos lençóis suados,

Acreditamos que o segredo é aquele que descobrimos,

Voamos em direção ao Sol,

Fugimos sem lugar ou sem sentido de caminho,

Movemos os sentimentos até lá,

Deixamos cair a chuva nos corpos e fazemos amor.

M.

ventos.

 Ventos do Sul que espreitam um dia de calor,

Sabores de mel que deleitam o paladar envelhecido,

Verdejantes caminhos desbravam o olhar de quem vê,

Cores a preencher a monotonia dos dias de saudade,

Vibração de som que atravessa as muralhas de um desafio,

Olhares redondos na penumbra de mais um beijo.

M.

 

 

chave.

 Selvagem duna deitada junto à costa desta maresia,

Rios de água salgada que salpicam os lábios do caminhante,

Risos que alastram por entre os corredores de um mosteiro,

Perfume que invade o espaço de quem anda na rua,

Sol que aparece para aquecer as mãos do pedinte,

Pensamento que atrofia as palavras que são ditas,

Loucura que vai e vem à procura de uma saída,

Chave que abre a porta de quem apenas quer passar.

M.

uns dias.

Uns dias são sombras que assaltam a claridade de um dia azul,

Uns dias são mentiras que atravessam a passadeira sem sentido,

Uns dias são fantasias que fazemos na imaginação dos sonhos,

Uns dias são loucuras que cometemos sem saber porquê,

Uns dias são maneiras que temos na melancolia da vida,

Uns dias são passados a pensar que o mundo é belo,

Uns dias são passados a conceber um caminho de felicidade,

Uns dias são apenas dias que passamos sem passar,

Uns dias são loucos e sem controlo de uma paixão ardente,

Uns dias são melodias que esvoaçam ao redor de um repouso,

Uns dias são curtos e outros são longos,

Uns dias são feitos de vontades para ser mais alguém.

M.

 

 

rapsódia

 Desilusões e ilusões num manto de agitação noturna,

Alegrias e satisfações viram a noite em dia,

Palavras sem sentido que desbravam o ar da colina,

Manhãs perdidas em voltas de uma melodia,

Uma sensação de largar o véu no monte da apaixonada,

Ficar parado e saborear as estrelas desta rapsódia.

M.

quadra.

 Aqui junto ao quarto onde escrevo mais uma carta,

Pego em ti,

Nos meus dedos enfrentas a quântica de mais um delírio,

Olho para o que vesti,

Descanso passeias no bolso ao deslizar pela avenida fora,

Um pensamento que revesti,

Lanças mais uma linha feita de curvas e curvinhas em letras,

Mas porque prometi,

Descobres mais uma quadra para assim acabar o dia.

M.

miragem.

 Soltam os acordes de mais uma epopeia que se soletra,

Mudanças que acontecem no virar de uma asa amarrada,

Felicidade que se espalha no quarto dos amantes,

Sabor que o paladar conhece ao beijar uma vez mais,

Intensidade que marca a terra dos que vão sem conhecer,

Distante miragem que se avizinha ficar agora próxima,

Pomares a que o fruto nasce do saber de um encanto.

M.

hordas.

 Tardes de sol no cansaço de um mar salgado,

Loucuras de quem corre por um dia rasgado,

Ventos que cruzam o ar de quem está ligado,

Marés de tom azul que fazem o sorriso alagado,

Hordas de errantes que em direção ao campo irrigado.

M.

lufada.

 Onde é que ficamos longe daquilo que perseguimos,

Lugares que nos apaixonam em luares de prata,

Tempo que se alcança no passar da areia por entre os dedos,

Milagres que queremos concretizar sem o condão mágico,

E na esperança de viver lutamos por mais uma lufada de ar.

M.

fome.

 Uma vez perguntei ao vento para onde iria o vento,

Sentei-me e esperei que a sua voz gritasse uma melodia,

Chorei pelo amanhecer que tardava em aparecer,

Acreditei que era ali que o meu lugar seria um alento,

Voltei-me para trás e nada vi que fosse uma parodia,

Gritei para o céu e no eco ouvi o som de um prazer,

Bati as mãos com força seca e sem ritmo e alegria,

Era uma vez o menino que passou ali junto ao mercado,

E com fome levou com ele o calor de mais um dia,

Para na sua cama voltar a sonhar que assim era querer.

M.

mostro.

 Olho para o momento em que espero um sinal,

Sinto a vontade de partir e esperar que a noite apague,

Largo mais uma lágrima no pranto de um caminho,

Quero saber se o vento é azul ou é feito de algodão,

Mostro o meu lugar e fico à espera de ver acontecer.

M.

 

 

Letras

​Nem escrever agora sei, Letras que me deixem sonhar, Um momento de alegria contigo, Falar de sentimentos ao luar, E deitar-me contigo na en...