eternidade.

 Quero descobrir um novo caminho feito de vontades,

Fazer poesia ao luar para que o livro seja mágico,

Encontrar nas folhas de uma figueira o doce dos lábios,

Viajar por vales e montanhas com o vento enérgico,

Que nos refresca o calor nos nossos movimentos boémios,

E com a espada de São Jorge combatemos todas as adversidades,

Acreditando que o que é nosso assim ficará na eternidade.

M.

tempo.

 Tempo que desbrava pelo vento,

Poemas que se escrevem ao luar,

Boémia de uma vida em mais um cigarro,

Vinho que saboreia os prazeres do dia,

Amor que fazemos na fantasia da alegria.

M.

 

quero.

 Quero voar alto até ao cimo daquela montanha,

Quero saber o que dizem os livros dos segredos,

Quero fazer tudo o que a vida não deixa para amanhã,

Quero amar quem me deixa sem enredos,

Quero felicidade até que o ar se esgote na azenha.

M.


rouxinol.

 Psst, psst menina que vais a andar pela rua,

Pisca, pisca o teu sorriso como um farol,

Fico, fico a pensar no que seria ter-te aqui comigo,

Sei, sei que és o mel do sonho onde vais nua,

Louco, louco fico e só sei dançar o Tirol,

Não, não me deixes assim como um mendigo,

Olha, olha para mim e deixa-me ser o teu rouxinol.

M.

construir.

 Uma noite de fantasia ao largo de um momento lunar,

A loucura de agarrar o destino sem saber para onde ir,

Damos as mãos e salpicamos com sal o nosso sabor,

Olhamos o horizonte e sabemos que não estamos a alucinar,

E como um monumento de pedra em pedra estamos a construir,

Aquilo que iremos chamar um dia do nosso Amor.

M.

 

sopro.

 De um sopro nasce uma vida,

Pelo fio de uma lembrança o seu destino,

Na colina de um planalto sem vista,

Junta ao seu peito o sentimento pintado,

De laranja que reflete a alegria desmedida,

Que adormece nos braços de quem ama,

E ao sonhar a magia da estrela de luar.

M.

 

destranco

 Destranco esta porta à procura de sair,

Num caminhar de pedinte que vai até ao rio,

Movimento de ondas de mar bravo,

Soletro uma palavra que enche o teu oceano,

Agarro o vento que se desprende do teu cabelo,

Beijo o sabor dos teus lábios no querer do teu mel,

E sem fel fico à espera de que o destino seja nosso.

M.

cortina.

 Num paraíso de cores sem cor,

Numa praia de areia sem areia,

Num oceano de água sem água,

Numa aventura de mel sem mel,

Num gelado de sabor sem sabor,

Numa cortina de Amor com amor.

M.

olha para mim.

 Olha para mim e vê o que sinto,

Olha para mim e descobre o que quero,

Olha para mim e imagina o que somos,

Olha para mim e fantasia o teu sonho,

Olha para mim e ama-me.

M.

Lá onde.

Lá onde todos querem ir ver o cintilar,

Lá onde a poesia é feita de aletria,

Lá onde a melodia se despe ao luar,

Lá onde o coração se deleita de alegria,

Lá onde o beijo respira por assim estar,

Lá onde todos querem ter a fantasia,

Lá onde nós fazemos amor ao despertar.

M.

contigo.

 Sobre os ombros um peso que quero aliviar,

Na minha vida a dor é uma constante que carrego,

Procuro o sal que provoque em mim o lavar,

De uma Alma que encontra em ti o seu abrigo,

Mostra-me esse caminho que agora vamos desbravar,

No meu coração que anseia por estar contigo.

M.


rimas.

Esta é uma história que corre por entre as brumas,

De uma onda que vai e vem ao encontro das Almas,

Sabendo que é o destino que nos afasta dos traumas,

E num longo beijo sem um segundo e sem problemas,

Respiramos até ao âmago de um ser e livres de dilemas,

E num mergulho no desconhecido fazemos estas rimas.

M.

 

 

 

 

 

vulcão

 Escrevo esta canção sem saber a razão,

Escapam entre as letras as palavras desta sensação,

Num enredo que corre pela vastidão,

Dos momentos que um dia se tornaram paixão,

E na ternura do olhar de mel o furacão,

Que desperta em nós aquele vulcão.

M.

encantar.

 Que nobre é o sentimento de quem vê,

Que loucura é feliz daquele que saber voar,

Que prazer é o momento de um dia andar,

Que felicidade é a vontade de nada ser breve,

Que cor é esta que desperta em ti ao acordar,

Que sabor é este que sentimos ao dar,

O nosso amor à Alma de um conto de encantar.

M.

ericeira.

 Por entre abismos de picadeiros sem poeira,

Destinos que cruzam e se encontram à beira,

Num abraço que é sentido na glória da alfarrobeira,

Em perfume que inunda o ar de quem vai à boleia,

À procura de um sentimento que navega até à praia,

Esperando que a tua mão chegue até à fronteira,

Para em loucura deitar ao vento a nossa bandeira,

Esvoaçando sem pudor e sem receio da fogueira,

Que nos vai aquecer nas memórias da Ericeira.

M.

não são.

 Não são vales e montanhas que me travam,

Não são pensamentos e pesadelos que me deixam,

Não são noites escuras que me levam a luz,

Não são tristezas que me fazem menos capaz,

Não são melancolias de me tornam menos audaz,

Mas são beijos que me fazem ver pela contraluz.

M.

queres ser tu?

 Queres ser tu o tesouro deste despertar?

Queres ser tu o momento deste tempo?

Queres ser tu o elo deste mágico entardecer?

Queres ser tu a luz desta noite escura?

Queres ser tu a peça que falta do meu puzzle?

Queres ser tu a vontade de querer respirar?

Queres ser tu a minha força de viver?

Queres ser tu?

M.

 

 

servir.

 Atravesso este trilho até chegar à esquina,

Olho em volta à procura de ver o que lá vai,

O frio varre o meu corpo como se fosse uma lâmina,

Meto as mãos nos bolsos para procurar Xangai,

Assobio para o ar a música que levo comigo,

Na esperança de saber que alguém irá um dia ouvir,

O poema desconcertante que aqui escrevo,

Porque nesta esquina apenas vejo um abrigo,

Pequeno e modesto mas que brota sem centavo,

O esplendor da vida que assim vai servir.

M.

 

 

 

 

bravos.

 Bravos momentos de prazer ao luar,

Vãs nuvens de algodão feitas de mar,

Longos beijos de mel sentidos no perpetuar,

No caminho seguido pelos órfãos de apaixonar,

Que um dia foram felizes ao saber amar.

M.

 

 

diluir.

 No suor de uma pétala que se desprende ao cair,

Corro sem saber se o seu perfume irei sentir,

Agarro em ti e saltamos até o céu colorir,

Quero amar-te na penumbra de um dia a convergir,

Na orla de uma lagoa que se vai despir,

Para em loucura ver as suas lágrimas a diluir.

M.

 

liberdade.

 Sou eu que descubro em ti uma vontade,

Sou eu que vou ter contigo para te ver,

Sou eu que quero que tu sejas o meu ser,

Sou eu que desejo em ti toda a verdade,

Sou eu que beijo os teus lábios até haver,

Sou eu que amarei o teu coração em liberdade.

M.

determinados.

 Vislumbres de maresia num perfume teu,

Rios de suor que descem por corpos suados,

Ao largo de um ardente fogo somos danados,

E saber que o Amor desta Alma derreteu,

Um caminho que a dois iremos determinados.

M.

 

 

apetitoso.

 Anda comigo até ao confim deste universo,

Descobre comigo aquilo que é o desconhecido,

Solta as amarras e viaja comigo sobre este verso,

Abraça o destino que comigo iremos ver tecido,

E comigo faremos um desejo apetitoso.

M.

repouso.

 Vastos campos de girassóis que brilham para ti,

Tempo de episódios feitos de cetim neste casulo,

Sensação de mar perdido dentro de um copo de mel,

Sufocado pelo pensamento de querer ir mais além,

Sem saber se o meu juízo assim o permite,

E na loucura das vibrações encontram o meu repouso,

Sabendo que é o teu aconchego que me adormece.

M.

floresce.

 Atravesso dunas de areia perdidas no tempo,

No horizonte um oásis que é esperado pelo corpo,

Quero trilhar sem sentir a dor de quem assim corre,

Fazer de ti o meu paraíso onde o coração se socorre,

Numa ténue neblina de um dia que agora nasce,

E saber que o nosso jardim assim floresce.

M.

derreter.

 Quero caminhar sem saber por onde vou,

Quero sentir aquilo que ainda sou,

Quero estar contigo na esperança eterna,

Levar comigo o teu Amor até à minha caserna,

E saber que tu és a minha Vida de um sonho,

Que escrevo por entre versos e melodias de linho,

Sem saber se serei o suficiente para te ter,

Mesmo que tenha de ir até Júpiter,

E de lá ver o meu coração por ti a derreter.

M.

 

 

deserta.

 Duas existências que se encontram numa praia deserta,

Olham-se na profundeza dos seus sonhos,

Seremos nós aqueles que um dia nos conhecemos,

Nas voltas que a vida na roda de samsara,

Nas nossas mãos unirmos em força agora descoberta,

E no sol que nos beija saber que somos risonhos,

E na fantasia dos nossos corpos viver o que sabemos.

M.

 

 

rugido.

 Sem lei e sem Rei solto o meu rugido,

Contra demónios, seguro a minha Alma,

Sejam monstros ou vermes serei protegido,

Das profundezas do meu ser terei a calma,

De enfrentar a cortina de tudo que é fingido,

E em ti encontrar a minha dama.

M.

 

 

legenda.

 Sagrada mística que envolve esta senda,

Numa caminhada de um peregrino à janela,

De um mundo que agora se desvenda,

Em rendilhados de palavras em canela,

Que juntos disfrutamos em dias sem legenda.

M.

 

sinos.

 Tramas e dramas de um enredo não contado,

Certezas e incertezas de um ser tentado,

Noites e dias de uma vontade de ser acalentado,

Oceanos e mares num céu que é assim pintado,

Sinos e campainhas que tocam o som de quem é amado.

M.

 

 

corsário

 Lento movimento do tempo que gira ao contrário,

Prosas de palavras que entoam pelo itinerário,

Num caminho que não é apenas literário,

Em sinónimos que fazem sentido no dicionário,

De quem escreve apenas para um glossário,

Que um dia será fantasiado numa epopeia do corsário.

M.

 

encantamento

 Jogamos ao vento o nosso pensamento,

Viramos do avesso o nosso contentamento,

Fazemos proezas feitas de um momento,

Partimos em busca do nosso encantamento,

E assim nos perdemos no nosso sentimento.

M.

Transcrevo.

 Sentado aqui como se fosse um desconhecido,

Viro mais uma página de um livro que escrevo,

Sinto ao meu lado o sabor de voltar a ser apetecido,

Fantasias de uma noite de verão que levo,

Por entre as brumas de um oceano que agora transcrevo.

M.

monumento.

 Luzes iluminam a vasta poesia deste sentimento,

Felizes sorrisos que se vestem ao luar,

Enquanto um momento se despe num sagrado sacramento,

Em sendas de mistério que vamos perpetuar,

Para na singularidade do ser edificar este monumento.

M.

Letras

​Nem escrever agora sei, Letras que me deixem sonhar, Um momento de alegria contigo, Falar de sentimentos ao luar, E deitar-me contigo na en...