Perfume ancorado

Nunca mais irei dançar nas estrelas da manhã,

E penso que será para sempre esta imagem,

Nas mãos de um peregrino que questiona o tempo,

Como irei sobreviver dentro deste casulo impetuoso,

Onde a luz se manifesta na sombra de uma esquina,

Numa cidade deserta despertando de um pesadelo,

Como um amor supremo que alcança o céu,

Toco de forma suave um piano que desliza no tempo,

E penso nas pedras que rolam pela colina abaixo,

Quando me falta o respirar de um perfume ancorado,

Num navio que atravessou meio oceano para ver,

E quem vai segurar a minha para entender,

Neste caminho que me foi dado,

Numa linguagem que eu não consigo escutar,

Sabendo que nas veias corre um sentimento que vive,

Mesmo que o meu desacerto seja certo,

E o meu corpo não aceite a sua imagem,

Cavalgo por entre as montanhas de um deserto,

Para me perder nas ondas de um rio aberto.

M.




lady f*

Sou alguém que escreve para compreender o que sente e para dar forma ao que, de outra maneira, ficaria preso no caos dos pensamentos. No Stupid Brain, a poesia nasce como um diálogo íntimo entre a mente e o coração, entre aquilo que se tenta esconder e aquilo que insiste em vir à superfície. Os meus textos percorrem territórios de amor, perda, desejo, solidão e esperança, explorando as fragilidades humanas com uma linguagem sensível, por vezes crua, por vezes delicada, mas sempre honesta.

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