Nunca mais irei dançar nas estrelas da manhã,
E penso que será para sempre esta imagem,
Nas mãos de um peregrino que questiona o tempo,
Como irei sobreviver dentro deste casulo impetuoso,
Onde a luz se manifesta na sombra de uma esquina,
Numa cidade deserta despertando de um pesadelo,
Como um amor supremo que alcança o céu,
Toco de forma suave um piano que desliza no tempo,
E penso nas pedras que rolam pela colina abaixo,
Quando me falta o respirar de um perfume ancorado,
Num navio que atravessou meio oceano para ver,
E quem vai segurar a minha para entender,
Neste caminho que me foi dado,
Numa linguagem que eu não consigo escutar,
Sabendo que nas veias corre um sentimento que vive,
Mesmo que o meu desacerto seja certo,
E o meu corpo não aceite a sua imagem,
Cavalgo por entre as montanhas de um deserto,
Para me perder nas ondas de um rio aberto.
M.