É bosque encantado o reflexo do teu olhar,
onde o outono adormece em folhas de saudade;
nelas sepultamos o tempo que não ousámos guardar,
como quem entrega ao vento a própria liberdade,
Uma névoa desce mansa sobre a encosta silenciosa,
e um sorriso teu desponta qual alvor da manhã.
O frio veste-me a pele de brancura vagarosa,
enquanto o coração desperta, inquieto, por te encontrar,
Sigo os caminhos estreitos que me conduzem a ti,
como um rio que conhece o destino do seu mar.
Na tua mão descubro a promessa que sempre persegui:
o calor capaz de o inverno desarmar,
Abraço-te com a firmeza de um farol sobre as marés,
que jamais abandona os navegantes perdidos.
Perco-me no perfume dos teus cabelos cor de mel,
como quem encontra, enfim, o lugar dos seus sentidos,
E quando a aurora descer sobre o silêncio do jardim,
deixarei que os meus lábios encontrem os teus, sem temor.
Pois toda a luz que o mundo um dia reservou para mim
vive, desde sempre, no teu amor.
M.