Vadio

Vadio que escreve poemas na palma da sua mão,

Afastado da sua Alma procura na chama de uma luz o seu farol,

Encontrado na beira de uma margem onde o Azul era apenas seu,

Agora perdido na infelicidade de uma manhã banhada de prata,

Num momento respira e inspira a sensação de voltar a ver.

M.

doente

Sou doente num fio de esperança que me leva até ao deserto,

Não posso caminhar por vales de sombras desconhecidas,

Levo-me por entre as ruas da amargura para de lá não sair,

Acredito que um dia o Sol voltará a sorrir para em mim verter,

Um sentimento açucarado e na doce melodia ir até ao teu encontro.

M.

assobio

 A voz ecoa, mas o palco é vazio,

Só a chuva responde com seu assobio,

Então, do fundo, um feixe de luz,

A prata da chuva num salto reluz.

M.

amanhã

Cada gota carrega um peso e um sonho,

De quem espera o amanhã risonho,

No canto da cena, uma figura sombria,

Olhos no céu, alma que ardia.

M.

dança

Num palco escuro, onde o silêncio dança,

A chuva cai, fina, reluz como lança,

É chuva de prata, não de água comum,

Que corta o véu da noite, um brilho incomum.

M.

praia perdida

Ao longe a leveza de um horizonte escondido na bruma da noite,

Tanto de mim e tanto de ti para que o momento descubra o seu dia,

Nas dunas de uma praia perdida vamos sem sentido aguardar pelo sol,

Sempre que desperta em mim o sentimento da vontade de voltar,

Um tempo de acreditar que a luz que entra pela fresta seja assim o calor,

Que me acalenta o coração nos pensamentos da noite fria.

M.

pranto

O céu respondeu com nuvens sombrias,

e a chuva caiu em notas tardias,

Cada gota era um verso, um pranto do alto,

lavando a tristeza que fluía em assalto.

M.

jornada

A melodia do pedinte, tão cheia de dor,

tornou-se poema, tornou-se louvor,

E a lua, agora cúmplice de sua jornada,

guardou em seu brilho a voz silenciada.

M.

tardio

 Chorava memórias de um tempo perdido,

quando a vida era riso, e o futuro, um abrigo,

Agora, era sombra, melancolia e vazio,

pedindo à lua um canto tardio.

M.

fervor

 Teu amor, doce e cruel,

É sal na pele, beijo no véu,

Uma promessa de calma e calor,

Um naufrágio de dor e fervor.

M.

dançar

 No céu cinzento, o vento a uivar,
O mar revolto começa a dançar,
Ondas imensas, um turbilhão,
Espelham o caos do coração.
M.

café

Sem tempo e sem vontade eis a loucura deste bater,

Findo de uma leitura acabada no sol de uma manhã,

Sabor de mel que me deixa a pensar no que seria ser,

Gosto de café naquele oceano de fantasia ao saber,

Que o meu desajeito é mais um momento a ter.

M.

sossego

 Devia ter sido aquele dia onde o Sol nasceu para aquecer o coração,

Desprendido entre os véus de uma névoa penetrante no rio do Sul,

A caminho de um trecho de música que se faz ao cantar o sossego,

E sem melodia encontrar um fio de prata banhado na costa do Sol,

E lá no fundo beijar o céu que de azul se vestiu para ver uma vez mais.

M.

tardio

Acordo deste sonho que me leva por caminhos de luz,

Sinto no meu corpo a melancolia de um amanhecer tardio,

Vejo ao longe a figura de uma mitologia esquecida,

Encontro no vento as palavras de um dia que quero viver,

Vou sem sentido à procura de mais uma alegria perdida.

M.

malandro

Nesta correria de um malandro ao largo de uma estrada,

A procura de um sentimento que se perde no meu encanto,

Foge por entre as manhãs o luzidio marasmo de um amanhecer,

Jogo sem parar o jogo de uma vida esquecida ao luar,

E no folego que ganho no respirar vou ao encontro do teu beijo.

M.

leopardo

Lágrimas derramadas num véu de cor cinzenta ao cair sem desleixo,

Serei eu um espantalho num campo onde as gralhas me assustam,

Num caminho sem sentido à procura do mel da vida encontrado,

Terei eu a vida de um cálice que verteu as suas cantigas até me cansar,

Junto à orla de uma bacia despida onde o horizonte é mais longínquo,

Farei eu a despedida de um leopardo na selva de um momento vivido.

M.

 

 

Letras

​Nem escrever agora sei, Letras que me deixem sonhar, Um momento de alegria contigo, Falar de sentimentos ao luar, E deitar-me contigo na en...