Sabor da sua boca

​Amanhece devagar , lá fora o som ruidoso da chuva a fustigar as janelas,

O telefone começa a tocar e corro para o atender,

Do outro lado uma voz melodiosa de mulher,

Quero responder mas faltam-me as palavras certas para lhe dizer,

Corre-me um suor pelo rosto de tanto fulgor que sinto no meu coração,

Depois de umas mal amanhadas lá consigo exprimir algumas sílabas com sentido,

Combinamos voltar a encontrar-nos na rua da alegria por debaixo da abóbora de São Pedro,

Fervem-me as mãos de tanto escrever sonetos de amor para lhe cantar ao luar,

Ao seu encontro me ponho a calcorrear por entre ruas e vielas a passo largo,

Não quero chegar atrasado e nem por um momento penso noutra coisa,

Por fim, chego ao lugar combinado, e lá estava ela com vestido vermelho e com perfume que se sentia à distância,

Sem saber como começo a dedilhar as minhas escritas como de um poeta se tratasse,

A magia paira no ar entre nós os dois como um arco-íris atravessa o oceano à procura do tesouro escondido,

Agarro a mão dela e num ímpeto de loucura e esperança aproximo os meus lábios junto aos dela e sentir pela primeira vez o sabor da sua boca.

M.

lady f*

Sou alguém que escreve para compreender o que sente e para dar forma ao que, de outra maneira, ficaria preso no caos dos pensamentos. No Stupid Brain, a poesia nasce como um diálogo íntimo entre a mente e o coração, entre aquilo que se tenta esconder e aquilo que insiste em vir à superfície. Os meus textos percorrem territórios de amor, perda, desejo, solidão e esperança, explorando as fragilidades humanas com uma linguagem sensível, por vezes crua, por vezes delicada, mas sempre honesta.

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